(Tentativas de) Poemas

Escuta,amigo

Felicidade precária, essa sua.
Começa só às seis da sexta, e termina às doze de domingo.
Me diz amigo, adianta viver em vão?
Conformou-se com o não
“Não tenho tempo, não posso, não quero, não gosto”
E esqueceu-se de todo o resto?
Do nascer do sol. Do brilho bonito dos cabelos castanhos à luz do sol. Do pôr do sol.
Do abraço. Do cheiro. Do beijo.
Do toque macio do cobertor no corpo, molinho e quentinho, recém acordado.
Do cheiro do café com leite, pão na chapa bem quentinho.
Esqueceu-se do toque da água fresca no calor intenso do verão?
Esqueceu-se do toque morno, quase abraço, de um bom banho no inverno?
Esqueceu-se das risadas após os filmes da madrugada?
Amigo, você se esqueceu de como éramos até então?
Pois faço questão de recordá-lo, quem era.
Era o abraço. Era a motivação. Era a outra opinião.
Era contestação, era suspiro, era até a vergonha (de vez em quando, sempre boa)
Esqueceu-se de como é andar livre? Andar sem medo, andar de boa.
Andar na Sé.
Esqueceu-se de como é não pegar transito e sentir o cheiro das pessoas? Quem sabe fugir do horário de pico com um bom café e conversa fora.
Amigo, eu te envio mensagens pra tentar te ligar.
Amigo, a vida é mais do que o ir e vir.
A vida é todo dia.
Tudo no dia.
Tudo.

*

Porque sei que sou feliz

Felicidade? Felicidade, meu caro, é poder sentir a brisa geladinha da manhã. É terminar o dia exausta, mas com a sensação de dever cumprido. É jogar conversa fora com amigos, fazer a vida leve.
É tranquilidade, descuido: esperar nada e se surpreender com a simplicidade – um sorriso, uma conversa com alguém diferente – que a vida oferece

*

Ah! Menino…

Eu gosto de ti, sabia?
Sua mão na minha. Seus lábios nos meus. O quentinho dos abraços.
Sentir seu coração bater pertinho do meu.
Ver seus olhos fechando de sono e, ainda assim, seus braços em mim agarradinhos.
Menino, você é cheio dos chameguinhos.
E sabe o mais de tudo? Só eu sei o quanto são sinceros.
Amo você.

*

Tá, então…

É assim mesmo. Frio na barriga. Sufoco na garganta. Olhar para trás e desentender o que viveu.
É, é assim mesmo. Tá aí a ponte entre o que é, o que poderia ter sido, o que de fato foi.
Quem tem medo, fica sempre à margem.
Quem tem medo, se move rápido demais, às vezes lento demais.
O que fazer com esse medo?
Vou misturar tudo e beber.
Coisa ruim não dá.

*

Coração quente, aconchegado… e uma indagação
July 15, 2013

São tantos sonhos que fica a dúvida… cabe tudo dentro de uma vida só?

*

O que eu..

vejo, é lindo
sinto, é doce
suspiro, é mel…

*

Acontecer

A
conta
em
ser

Pode ser cara demais, estúpida demais…

*

Medo
Fevereiro11, 2012

É engolir de uma vez só um copo de whisky sem gelo
garganta arde, a boca azeda..
Ao contrário da boca, é o peito..
Coração sente demais

*

Inferno

-Você acha que existe inferno?

-Ôxe… existe sim, sim! O inferno tá aqui na terra né? Pelos cantos, né? É igual ao céu, que tá na terra também. A gente é que descobre.

*

De que cor é?

Regou a lagrimas terra
Regiu a orquestra sol
Nasceu em rosa dentro de mim
Flor!

*

Do re mi fa do
Junho 28, 2010

Existe dor em ser?
Ou será não ser?
Não sei…
Nem sei se sei o que sinto
Sinto dor, sinto nada?
Sinto, minto, finjo…?
ou não existo?

Em alguns momentos é preferível não existir, se for preciso sentir.
Dor.

ALTO!
Março 18, 2010

Diverte-se criatura!

Em baixas alturas

Com frio seco

Numa caixa fechada

Humana e amadeirada!

Fecha-se a porta

Platéia se senta

Platéia se encanta

Platéia que bate palma e dança!

Rabisca rabisca rabisca!

Com furor pensa pensa, rabisca!

E num ritmo lentamente rápido

Passam-se os dias

E o espetáculo vai chegando ao fim

Como será o final?

Chove chuva!
Janeiro 17, 2010

Em São Paulo não da pra sair na chuva e se sentir livre. Pisar os pés na terra? Que terra? Se tem areia é de construção. Não rola.

E cadê toda gente nesse mar de gente? Esse mar ta mais sem peixe do que poça d’água…

E cadê todo esse verde? Nem coqueiro, nem pinheiro tem nesse mar de paredes!

Chove chuva… chove… revigora, salva ,mata, anima e desanima!

Respira, sinta viva e deixa viver…

Mas te pergunto: por que não tira férias com o sol forte?

Ou que tal, vai pro nordeste e deixa o sol no litoral.

E em São Paulo, deixa o clima fresco, calmo, divertido.

Deixa os paulistas livres do sol abismado e da garoa irritante…

Minha poesia do dia-dia, do sono dos recém-acordados…
12/05/09

Acordo
abro os olhos:
em azul vejo a flor
e a realidade não-morta da qual faço parte

acordo
já não sinto sonhos ou tempestades
nesse instante eu vivo,apenas
nada muito antes ou alem disso…

em azul a flor
esperança ou poesia?
talvez os dois, talvez mentira
acordei num novo mesmo dia.

Poema a um Amigo
Julho 21, 2009

Dizem que o vento leva
quem não pode surportar (asfalto, tolice, pressao e amarguras)

Que me leve, então, vento,
onde quero chegar..

Vento do litoral é salvador
sonhos e desejos
suspiros e devaneios…

Por que tão quente entre os presentes?
Por que tão frio entre os passantes?

Saudades de janeiro, saudades da Bahia..
Saudades imensas da sua companhia!

Tempoadas
Dezembro 30, 2008

O sol aquece o asfalto
que responde com miragens flutuantes…
Poucas brisas beijam-me a face: mas nao quero beijos, apenas brisa.
Brisa, paz e calmaria…

Nao me importa mais
quantas e tantas folhas sequem
quantos e tantos frutos nasçam
quantas e tantas chuvas caiam

Sinto, vejo
novos ventos em nova direçao
mas so sinto e vejo
pois nao me importo mais com toda essa repetiçao…

o tempo passa
as folhas caem
o rio seca
o sol queima
as pessoas dançam…
o mundo acalma…

e as ideias novamente em seu lugar…
postas a brincar de roda
como crianças descalças
em um jardim bonito
que entoam cantigas infantis
doces e sublimes
imaginando mundos extraordinarios
sem a pressao da idade…

Talvez a liberdade
bonita, jovem e sutil
que o tempo traz como presente
se faça presente apenas
nas mentes juvenis
de ideias maliciosamente infantis…

Nao sei, me arrisco a descobrir
com o presente de todo o dia…
gracioso pelo nome e pelo existir agora…

o tempo passa
as folhas caem
o rio seca
o sol queima
as pessoas dançam…
o mundo acalma…


No restaurante

Dezembro 13, 2008

Pessoas procuram seus lugares
Companhias e amigos
Risadas, cheiros fortes e quentes a sair pela janela da cozinha

O garçom passa…
ele vem e vai
como num balanço de sino
ele vem e vai…
ele vem e vai…
ele vem e vai…
ele vem e vai…

Pessoas ja encontraram seus lugares
Companhias e amigos
Risadas, cheiros fortes e quentes a sair pela janela da cozinha
continuam

Mas o garçom
vem diversas vezes e vai diversas vezes
e outras, e outras, e mais diversas vezes…
Sente os cheiros, ouve as risadas e observa as companhias
Indo e vindo sente os cheiros, ouve as risadas e observa as companhias…


Interruptor

Novembro 22, 2008

Ta tudo escuro. Alguem acende a luz?
‘O interruptor ta quebrado’
Entao continuemos assim… no escuro.
‘Alguem sabe consertar?’
Se soubesse ja teria feito! Neh nao?
Cri Cri Cri.

Cabeças Quadradas
Novembro 5, 2008

Seja a matriz de todos nossos problemas
um polinômio por resolver,
ou a tangente de um ângulo maroto
que não descubro sem uma HP.

Qual a graça de números chatos
que não equacionam nossas vida?
Só complicam a desgraça
e estressam o dia-a-dia.

Sejamos todos animais novamente!
Sem mais nem menos!
Sejamos todos livres de máquinas
guerras e maus pensamentos!

Sejamos livres dos números!
As raízes de todo mal!
Ditas sementes do conhecimento
conhecimento maquinal,infernal…
que nada de bom plantou na humanidade!

Desenvolvimento?
apenas para a matéria
fria e crua,
quente só as máquinas!

Máquinas ligadas em brasa,
aprisionaram o homo sapiens
ao lucro e a farsa,
que se diz desenvolvidosuperior…

Perdeu-se o lado humano,
o calor de corpos animais,
que se dizem não-animais
porque sabem dividir e multiplicar!

Poucos são salvos:
calculam e se mantém humanos
talvez esses, uma exceção
um fruto não-podre da árvore maldita
talvez esses,
seres vivos
pois respiram o ar do mundo
um mundo realista, Animal e selvagem…
Animais amorosos e fraternais
amigos do bem e da cultura.

Choro pela liberdade
aprisionada no inconsciente de mentes pequenas
naturais, complexas, reais
determinantes de um futuro vazio e insensível..

São esses os benefícios da matemática?
Uma racionalidade imbecil e fútil!?
Abominando o lado humano
achando que tudo pode ser resolvido por números!?

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