Quase

Quase…

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Sarah Westphal Batista da Silva

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Sarah Westphal Batista da Silva

O meu Amor, tem um jeito que é só seu.

ARTE DE AMAR

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

Manuel Bandeira

*

Quando ainda me sentava nas carteiras do Ensino Médio eu apreciava as aulas de literatura. Apreciava em especial a maneira como os escritores e poetas descreviam seus sentimentos, principalmente o amor. Cada escola literária tinha seu quase-padrão (porque na realidade eles nunca existem) tipos de amor. Amor romântico, amor utópico, amor sensual… Na passagem do tempo, alguns amores foram construídos com olhares e mãos dadas. Outros arderam com beijos e noites inesquecíveis. Alguns foram construídos em nuvens, sonhos apenas… alguns nasceram de amizades, outros sempre estiveram escritos…

Qual é o amor dos tempos de hoje? Já ouvi especulações sobre ele ser líquido, amor-consumo. Amor sexo-delícia-delivery. Beijos deliciosos, orgasmos alucinantes, só por uma noite. Um cardápio variado e infinito de amores, tão infinito quanto o desejo de consumi-lo parece ser. Já ouvi críticas a respeito desse amor-moderno, ouvi dizer que ele é feito de relações fracas, não perdura no tempo.

Não sou a pessoa mais romântica do mundo, manifestações públicas de afeto me causam pavor e comédias românticas não entram na minha lista de filmes preferidos mas, apesar dessa aparente frieza, por dentro sou uma paçoca derretida. Sexo-delícia-delivery não me interessa. Nasci na geração líquida e, por óbvio, fugir dessa realidade é difícil. Mas essa realidade não me satisfaz. O amor aquém de qualquer explicação é que faz parte de mim, e hoje talvez só os livros de literatura consigam traduzir um pouco do que eu vibro.

Eu acredito no amor doação sem anulação. Acredito no amor-companheirismo de cobertor e brigadeiro em noites frias, mas também no amor-pensamento ao deitar a cabeça na escrivaninha, tentativa de descansar do cotidiano. Acredito no amor que aquece a alma quando vê o sorriso da pessoa amada. Acredito no amor que sobrevive à distância, às brigas, à falta de contato. Amor que sobrevive à própria vida, mantendo-se vivo com lembranças e sonhos.

Eu acredito no amor-contradição, mistura de tristeza e doçura. Acredito no amor querer-bem, ainda que a contra-gosto, ainda que isso custe distâncias. Acredito no amor que nem sempre pode estar junto, e também no amor que nem sempre se entende.

Amar é um exercício pessoal, íntimo. Meu amor é do tamanho do mundo, ou maior. Amar não exige explicação, não exige contrapartida, não exige nada. Amor não se anula, não traz infelicidade – embora às vezes possa ser acompanhado da tristeza. O meu amor não exige que o outro seja algo que não é. O meu amor tem momentos tristes, ele entende que nem sempre é bom ficar junto – pode ser que o junto destrua os dois lados.

Eu acredito no amor-liberdade. Só os livres amam de verdade, ainda que por vezes doa. E muito.

E é por isso que Manuel Bandeira tinha razão quando escreveu ‘Arte de Amar’. A alma só encontra satisfação em Deus, o Deus de cada um: a tentativa solitária de tentar entender o propósito de viver e as possíveis razões para os fatos inexplicáveis da vida. O meu Amor só encontra conforto em algo que não entendo, algo que chamo de Deus porque me dá forças, não sei de onde e nem por qual propósito, para seguir e tentar ser alguém melhor, com um coração bom, capaz de ser feliz com a felicidade de outras pessoas. Sem inveja, sem ciúmes, sem ressentimentos. É muito difícil, ainda procuro entender meu Amor.

Mas meu Amor é tão difícil, tão complexo para mim, que por isso mesmo ele não é capaz de se comunicar com outra alma. Ele faz parte da minha alma, e os corpos se entendem, mas as almas não.

O Brasil dos últimos tempos

Já faz um pouco mais de um mês que manifestações ganharam força no país. Essa ‘onda’ de protestos começou miúda e muito criticada pela maior parte da população, que enxergava os manifestantes como ‘baderneiros’, ‘filhinhos de papai’, ‘sem noção’. Essa imagem foi desfeita após o fatídico dia 13 de junho.

Foi no 13 de junho que a história ganhou direção nova. Diante das agressões sem causa de policiais despreparados e alguns, quiçá, maldosos ( cheguei a essa conclusão depois disso e disso), que resultaram em agressões feitas a vários repórteres e denúncias de exagero e de violência da PM feitas por milhares de pessoas através das redes sociais, os protestos deixaram de ser por apenas ’20 centavos’ e ganharam uma dimensão gigante, energia pulsante com um toque de patriotismo cego.

Foi depois do 13 de junho que milhares de brasileir@s foram às ruas, reivindicando tudo e nada ao mesmo tempo. Numa mesma multidão encontrava-se cartazes pedindo pela ‘redução da maioridade penal’ enquanto, ao lado, outros pediam pela ‘humanização do cárcere e desmilitarização da polícia’. Como pode, Deus? Essa é apenas uma das mil contradições que observei quando participei da manifestação do dia 17, segunda feira. Mas essas contradições se mantiveram em quase todos protestos seguintes.

‘Mais educação! Mais saúde! Menos corrupção!’ No geral é isso que todos queremos. E depois da invasão ao prédio do Congresso ocorrida também na segunda, ficou claro que a exigência das ruas era séria. O parlamentares, então, fizeram uma ‘agenda positiva’ para tentar ‘parir’ em alguns dias alguns dos projetos que deveriam ter sido decididos há anos. Foi assim com os royalties do pré-sal e também com a PEC33. Incrivelmente parecia que as coisas começaram a se encaminhar. A presidente criou também uma agenda de ‘políticas’ de urgência que deveriam ser discutidas, avaliadas e, então, postas em prática. Ficou claro que o Wellfare State brasileiro estava sendo cobrado. O povo quer seus direitos, agora!

Interessante foi que meses antes eu tive que ler vários textos sobre o Estado de Bem-Estar Social e a o Princípio da Proibição do Retrocesso ou Cláusula da Proibição do Retrocesso, segundo o qual o direito não poderia retroceder nunca, somente avançar. E isso inclui os direitos sociais, conhecidos também como ‘direitos do cidadão de obter uma prestação positiva do Estado’. Simplificando: o Estado só pode oferecer mais e mais direitos sociais, jamais retroceder e cortá-los. Pois, caso o fizesse, ocorreria o que estamos vendo ocorrer na prática.

Mais interessante também é notar que, no caso brasileiro em questão, não houve retrocesso em direitos sociais como ocorreu na França e outros países europeus, que tiveram de lidar com cortes para superar a crise de 2008. Também não é um movimento contra governos ditatoriais, como ocorreu na Primavera Árabe e acarretou na queda de vários governos (entre eles, o que mais me marca a memória é o do ditador líbio Muammar Kadhafi, cujas fotos morto circularam pela internet).

O caso brasileiro é um tanto… diferente. Saímos às ruas para exigir mais direitos e mais qualidade deles. Vivemos uma democracia há pouco mais de 20 anos, e é uma democracia bebê ainda. Estamos aprendendo. Nossas organizações políticas não são das melhores, nem das mais transparentes. Mas estamos no caminho… reivindicar faz parte disto. Mas.. será que estamos fazendo certo?

Ficou claro que o ‘jogo’ só virou a favor dos manifestantes depois que repórteres foram agredidos por policiais naquela noite de quinta. Não há lideranças vivas nos movimentos. Não há pautas claramente definidas. Partidos políticos foram hostilizados em vários dos protestos. Será que sabemos o que queremos e para onde caminhamos? Onde está nossa memória recente dos tempos de ditadura, no qual os partidos eram proibidos, lideranças eram perseguidas? E as semelhanças do movimento de massa, antipartido e super nacionalista com o nazismo?  Será que o povo brasileiro realmente ‘acordou’ ou virou moda sair nas ruas para depois postar uma foto com amigos nos protestos?

O que tenho visto é uma preocupação grande dos governos em atender as demandas populares. A presidente tem feito um esforço em definir as políticas públicas, repensar o papel dos serviços públicos. Não sei se é o ideal. Mas está tentando. E, em contrapartida, não vejo maior esclarecimento da população sobre como, de fato, ser possível executar o que se pede. E é aí que entra o Princípio da Proibição do Retrocesso. Será que nosso governo tem realmente condições de arcar com 100% dos transportes, da saúde, da educação e de diversos outros segmentos sociais?

Existe o lucro dos patrões, a exploração da mão de obra. Mas também existem os empregados desinteressados, o trabalhador que faz trambique. Não existe maniqueísmo nas relações humanas. Há pessoas e pessoas, sistemas e sistemas, vários meios de se tentar obter maior qualidade de vida com o mínimo de sofrimento possível.

Estamos tod@s cansados do trânsito, dos atendimentos ruins (tanto do setor público como do privado), da precariedade dos serviços (os dois tipos também). Será que só cobrar o governo resolve? Será que apoiar essa ‘luta de classes’ entidades privadas diabólicas x trabalhador oprimido é o suficiente, é o necessário, é o que de fato promoverá mudanças?

Não sei. O que sei é que não adianta acusar, apontar o dedo para arrumar um culpados por todos os problemas do mundo e das outras galáxias. O inferno sempre será os outros. Talvez, antes de levantar a bunda pra ir pra rua levantar cartazes e dizer que ‘O Brasil acordou’, tenha mais efeito repensar os próprios comportamentos e medidas melhores que tornem melhor a vida de tod@s, sem maniqueísmos pseudocientíficos.

Talvez eu tenha perdido um pouco a ilusão de viver num mundo 100 por cento igual, pleno equilíbrio entre tecnologia, conforto e meio-ambiente, sem opressão social, sem sexismo, sem racismo, sem homofobia, sem gente passando fome… sem todos os exageros ruins enquanto poucos consomem direitos e dinheiro sem se preocupar com o amanhã.

Mas, se acredito em algo, acredito que podemos mudar para melhor. Talvez não eliminar completamente as diferenças (até porque nem biologicamente somos iguais, não existe igualdade inteira..), mas sim criar uma igualdade com respeito a essas diferenças, uma igualdade que possibilite a todos uma existência digna e um futuro seguro, saudável.

Pensar em uma solução plausível tem mais efeito do que vaiar a presidente. Desejamos para ontem, nos planejamos para o futuro. Mas e o agora?

*

Ontem (10 de julho) a presidente foi vaiada após anunciar repasse de bilhões para os municípios. (Veja aqui!) O futuro não é feito ontem. Não sei ainda como avaliar o progresso dessas medidas, afinal dependerá também de esforços das administrações estaduais e municipais. Mas precisava vaiar? Num primeiro ponto de vista me pareceu revolta de criança mimada que não sabe o que tá falando, o que tá pedindo. 

Amanhã está marcada a Greve Geral dos Sindicatos e de outras associações de trabalhadores. O isso que vai dar?