30/09/2012

Uma hora ou outra o destino se ajeita, as coisas se acertam, o passado é esquecido, as dores cicatrizam. Quem tem que ficar fica, o que é verdadeiro permanece, e o que não é se some. Não tenho pressa, não guardo mágoas, não desejo muito. Só espero, na minha. Aprendi a ser paciente. Aprendi a ouvir uma boa música quando a tristeza bater. Aprendi a ignorar o que me faz mal. Aprendi, sobretudo, a ter fé. Fé de que, por mais difícil que seja, o universo sempre irá conspirar ao meu favor.

Fato

Esse gosto amargo, esse cuspe seco, essa dor que não estanca nunca. Lembranças já me vem a mente como se o luto já fosse parte da minha vida – não é, mas será. Essa certeza da perda sufoca, atropela, assassina, estilhaça, arrebenta, tudo, tudo por dentro, nos mínimos detalhes. Dói demais.

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Ressecados

O ar estava tão seco, tão seco, que ressecava até mesmo os olhos dos passantes. Da passarela carros eram vistos, fumaças dissipavam-se na imensidão do azul sem nuvens cerceado por grandes edifícios da cidade grande. E lá estavam os dois, debruçados sobre o parapeito, olhando a 23 de Maio congestionada. Uns milhares de pedaços de gente enlatados em automóveis, alguns com a vantagem do alívio do inferno pelo ar-condicionado, outros com janelas abertas na tentativa de recuperar um pouco de brisa, ar para não sufocar nem derreter.

Fluxo interminável de carros, fluxo interminável de passantes pela passarela da Liberdade. Liberdade. Não é ela que todos desejam? Alguns cruzavam-na por baixo, outros acima. Alguns enlatados, outros mais soltos. Todos angustiados. Horários. Preocupações. Dívidas. Família. Sustento. Cobrança. Mas, naquele momento, nada disso importava para os dois amigos. Conversavam horas a fio observando o cotidiano da cidade, a paisagem concreta da Paulicéia, as feições dos mil tipos de brasileiros em uma só cidade.

Conversaram muito, riram muito. Sem preocupações – essa era a regra. Pensavam: viver vale a pena? Simplesmente não há vida se não valer a pena; há apenas existência, e existir é fácil: não requer esforço, sofrimento, cansaço, decepções. Existência é aquele vazio morno, nem lá nem cá, aquela parada no tempo para nada, cotidiano maquinal, aperto no peito. Tem gente que apenas existe e nem sabe. Tem gente que quer viver e não sabe como, porque também quer ser livre e feliz. E tudo isso, junto e misturado, parece uma contradição enorme…

Viver, ser livre, felicidade?  Nada mais são do que tranquilidade, confiança, paz – que estão escondidinhas, mas não perdidas. Requer algum esforço encontrar, mas estão lá dentro da gente, do melhor que podemos – e desejamos – ser. Riam tanto! Sentiam paz. Estavam tranquilos. Transbordavam confiança. Tão pouco precisamos, e tão pouco óbvio é perceber isso… Mas isso eles sabiam, só de olhar os carros. Que tipo de vida queremos viver?

Ignorância é uma bênção

Você aprende a ignorar. Aprende a não se importar, aprende a suportar tudo. Quando sua unica escolha é simplesmente fingir que nada aconteceu, você acostuma. A unica saída é olhar para os lados e agir como se não fosse com você. A unica saída é ser ignorante. E então, você verá quem realmente se importa, quem não desiste e vai atrás de você, da pessoa que você era.

*

— Anota aí para seu futuro menina: desapegar das pessoas, se importar menos, não se abalar por nada nem ninguém, correr atrás daquilo que faça seu coração vibrar, ficar perto de quem te quer bem, correr atrás dos seus sonhos, se amar mais, esquecer tudo aquilo que te faça mal. Anota aí: cair na real.

Caio F.

“Pare de correr atrás. Pare de se importar. Seja indispensável, DESAPEGUE. Pessoas GOSTAM do que não tem”

Dr. House

Ir e vir

Algumas pessoas vem e vão. Outras ficam durante umas horas, dias, meses, anos.. mas se vão também. Talvez voltem. E quando voltam, é uma surpresa e nostalgia incomparáveis.

Esses dias reencontrei pelo facebook alguns grandes amigos dos quais a rotina, dia-a-dia, diferenças que surgem com o tempo, separou. É engraçado notar como mudamos e, ainda assim, continuamos um pouco os mesmos… Os corpos mudaram, as vozes, a rotina de cada um de nós mudou e por mais que não tenhamos mais um ponto de tangência entre nossas vidas, o carinho se mantém. Manteve-se por longo tempo apesar da distância bem grande de alguns cinco anos,por aí.

Nos reencontramos, e é muito bom poder conversar de novo. O reencontro depois de muito tempo tem um quê de especial, talvez porque demonstre que no fundo, bem lá no fundo, talvez no canto de uma caixa de fósforo guardada num armário de memórias velhas, um pedacinho de carinho e lembrança mantiveram-se vivos por todo esse tempo.

ps* Não sei por que, mas o player com o vídeo não está aparecendo =/ Fiquem com o link então!!
Bossa N` Roses – November Rain

Bossa n` Roses – November Rain
“When I look into your eyes
I can see a love restrained
But darlin’ when I hold you
Don’t you know I feel the same

‘Cause nothin’ lasts forever
And we both know hearts can change
And it’s hard to hold a candle
In the cold November rain

We’ve been through this such a long long time
Just tryin’ to kill the pain

But lovers always come and lovers always go
An no one’s really sure who’s lettin’ go today
Walking away

If we could take the time
To lay it on the line
I could rest my head
Just knowin’ that you were mine
All mine

So if you want to love me
Then darlin’ don’t refrain
Or I’ll just end up walkin’ In the cold
November rain

Do you need some time…on your own
Do you need some time…all alone
Everybody needs some time… on their own
Don’t you know you need some time…
All alone

I know it’s hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if you could heal a broken heart
Wouldn’t time be out to charm you

Sometimes I need some time…on my own
Sometimes I need some time…all alone
Everybody needs some time… on their own
Don’t you know you need some time…
All alone

And when your fears subside
And shadows still remain
I know that you can love me
When there’s no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
‘Cause nothin’ lasts forever
Even cold November rain

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody”

Completude incompleta

2012 tem sido um bom ano. Consegui a tão desejada vaga na faculdade que eu sonho há anos, voltei a fazer as coisas que não são só ficar final de semana em casa estudando, passeios leves e só aulas durante a semana.. Comecei cursos novos, to tentando me livrar de sedentarismo (vai chover canivete!), e to saindo bastante!!! Isso tudo me deixa feliz, sinto que estou fazendo coisas diferentes, sinto que estou em movimento. Mas, por outro lado, acho que deixei a desejar nos estudos. Não me cobro, afinal acabei de entrar na faculdade e foi uma luta árdua e muito estressante todo o processo do vestibular, sofri demais, e por isso no momento estou satisfeita em passar de ano.

Parece, então, que tá tudo bem, tudo certo. Não posso reclamar muito, realmente as coisas estão indo bem. Mas é que, sei lá, agora que posso aproveitar os feriados queria viajar mais. Mas é difícil, porque cheguei numa idade em que quase todos meus amigos trabalham ou tem outras prioridade e quase ninguém se dispõe a isso. Eu posso estar exagerando, mas é isso que vejo. Tentei duas vezes esse ano fazer viagens e no final foram frustradas, e eu realmente quero muito mesmo sair de São Paulo e ficar um pouco distante não só da cidade, mas de todas as coisas ruins dela. Quero ir para lugares mais silenciosos, com um cheiro verde e, no entanto, vejo ser cada vez mais difícil conciliar horários e interesses com meus amigos. Me pergunto se não perdi tempo de viver, aproveitar a hora certa de viajar, enquanto era mais jovem. Acho que é bobagem, afinal ainda sou jovem… Mas a sensação do tempo passar e eu não viver as vezes é tão grande que me consome, me deixa aflita. Olha só, é uma contradição interna… não disse agora pouco que estou saindo bastante esse ano? Pois é, anda assim me sinto muito presa! Não sei porque sinto isso, só sei que sinto… talvez seja algo da idade, não sou só eu que tenho essa impressão, mas como fazer para ela ir embora??

Talvez o único jeito seja se esforçando pra fazer o que quero,oras, viajar! Com o passar do tempo vou ter mais responsabilidades e mais dificil isso será.. mas faz parte da vida né? Queria não ter essas sensações de perda de tempo, mas já que tenho o único jeito é lidar com ela..

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