Em Acrópolis não tem wi-fi

Quando a gente ainda é titico de gente, imagina que quando crescer vai poder trabalhar com o que gosta, e viver feliz pra sempre (exceção para a hora de arrumar o quarto).

Quando a gente cresce, percebe que talvez não seja bom trabalhar só com o que gosta. Por que gostamos justamente por não termos obrigação. E se tiver obrigação, talvez deixaremos de gostar.

Nessa fase docinha da vida, também sonhamos com um futuro brilhante, um sucesso rápido, sem sacrifícios verdadeiros (quando se está cansado, com sono e irritado, é necessário acordar as cinco da manhã, se não…).

Mas quando a gente cresce…

O tempo escorre pelas mãos, sem pedir licença nem perdão. Por que não fiz francês quando tava na sexta série? Agora, nesse dois mil e onze anos pós nascimento de jesus, não tenho tempo nem pra dormir direito! Com direito a acordar na preguiça, tomar um café da manhã e sentir o gosto dos alimentos. Não tenho, quase, direitos! Só obrigações! Ahhhh Jesus!

E é nesse ambiente, nesse cosmos de infância e adolescência que poderiam ter sido mais úteis e não foram, é nesse espírito nojento de obrigações financeiras, trabalhistas, colegiais, nupciais, coleguiais, familiares, alimentares, energéticas!… que nos afogamos em mágoas de descontentamento, desperdiçamos a liberdade e a essência de existir.

Desgosto, desapreço pela vida, comodidade…  Esse ciclo de 11 anos, faculdade, casa própria, casamento, filhos… trabalho? Dá vontade de romper, torcer, cuspir, de deixar de lado, no canto da porta, torcer. Sair por aí, buscando outra realidade, outros meios de vida, pra tentar talvez se convencer de que aquele caminho maldito de falsa fartura de felicidade é o melhor a se seguir.

Não existe mundo perfeito, não existe felicidade inteira por si só… mas preferia não ter acreditado em felizes para sempre quando era criança. Não é que a realidade seja de todo mal, é só que… poderia ser menos cruel.