Será que um dia vai dar certo?

Quando começamos a trabalhar e a conquistar nossa independência financeira, é impossível não deixar de pensar no sonho de ter a casa própria. Um cantinho pra chamar de “meu”, (des)arrumado do meu jeito. Quando pequena, adorava jogar The Sims e montar a casa dos sonhos, visitava sites de decoração imaginando como seria a minha.

Acontece que agora, podendo fazer um planejamento financeiro, juntar uma grana suficiente para comprar uma toca qualquer não é tarefa fácil. Nunca foi, mas com o preço dos imóveis nas alturas, parece impossível. Já me conformei que talvez só consiga morar antes dos 30 ou em regiões centrais desvalorizadas, ou em regiões periféricas. O problema é que ainda assim é muito difícil juntar um bom dinheiro para dar de entrada em um financiamento (e consequentemente diminuir o valor das parcelas) e ainda assim ter algum ‘resto’ para a decoração.

Morar num apartamento no centro de São Paulo não é má ideia, porque além de ser perto do meu trabalho, é uma região cheia de serviços, transporte público, enfim, dá pra se viver sem carro e bem perto de teatros, bares, cinemas. Mas queria mesmo é morar em casa, com churrasqueira ao fundo, janelas bem grandes, um jardim gostoso e espaço para ter cachorros. Será que dá para conciliar isso com as facilidades (e problemas) de morar na região central? Também existe a possibilidade de alugar um imóvel, mas sem a liberdade de poder usar dele como quiser, por exemplo, fazer reformas.

Será que um dia vai dar certo? Por enquanto sigo sonhando e guardando dinheiro.

A Porta

– Fecha a porta.

– Não não, vou deixar aberta pra entrar um ar mesmo.

– Mas tá de noite, olha as horas!

– O ar da noite é mais fresco.

– É perigoso, nunca se sabe se pode vir um bandido! Semana passada parece que a casa da Jô foi assaltada!

– Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

– Exato, agora pode ser nossa casa, fecha a porta Carlos!

– Não vou fechar não, se você quiser fechar, feche-a você. Arre, quanto medinho por nada. Fica vendo Datena de tarde, dá nisso.

– Nisso o que?

– Nesse medo louco que você tem de tudo, até de uma porta aberta pra entrar um ar.

– Aberta pra entrarem na nossa casa, é isso que você quer dizer né. Se quer que entre ar, abra as janelas, uai!

– Não é a mesma coisa. Só uma porta aberta tem as sensações de frescor e liberdade tão difíceis de encontrar nesse calorzão dos infernos.

– Mas Carlos, querido, se quer vento abre a porta do quintal, abre as janelas, liga os ventiladores… Mas não deixe a porta assim, escancarada, de noite!

– Você tem medo do que, Daniela?

– Medo do que todo mundo tem, de morrer.

– Acha que uma porta aberta de noite vai te matar?

– Não, mas pode ajudar, facilitar. Nunca se sabe, vira um convite pra bandidos, gente mal intencionada. Se sabem que a casa é cheia das rapariga, vai que surge até um safado sem vergonha que tente se aproveitar das meninas! E você é louco, com essas lorotas de frescor e liberdade. Pra que tanta frescura? E essa bobagem de liberdade? Santo Deus! Livre você não vai é ser na mão de delinquentes!

– Dani… Mas é que… perdemos tanto de nossas vidas por causa desses medos bobos. Quero dizer…  É claro que existem riscos. Mas eles estão soltos por aí, espreitando as vítimas do acaso. Ninguém está sempre seguro, e nessa de querer preservar tanto a vida, perdemos ela em detalhes. É a feijoada da Tia Maroca cheia de gordura, vai que aumenta meu colesterol e me mata do coração? É o cigarro não fumado, vai que dá câncer, não é mesmo? A cerveja não bebida, o doce não saboreado, a paixão não vivida. Quantos momentos bons perdemos para evitar suas consequências, seus riscos!

– Você deu agora de fumar, safado? Se a gente tá junto é porque eu não esperava ter segredos com você, se tiver que falar alguma coisa fale de uma vez, não fique dando voltas e voltas pra me enrolar! Desde quando você fuma? Quem te colocou nessa roubada? Certeza que foi o Vitinho, CER-TE-ZA! Tinha que ser aquele safado, bêbado e arrogante!

– Não não Dani! Que fumar o que! Eu não fumo, foi um exemplo! É um prazer que não faço questão de ter, acho fedido, sei lá! E o Vitor não tem nada a ver com isso, porque você vem com essas agora? Me deixe terminar!

– O que é, então?

– É que eu acho que temos, as pessoas todas, medos demais e vida de menos. Não to falando em ter uma vida libertina, mas o equilíbrio é fundamental. Depois de ficar preso horas no trânsito, no calor dos infernos, eu quero sentir a brisa vinda da porta. Por que não posso ter esse prazer, tão simples? Enquanto você fica aí, assistindo Cidade Alerta, Datena e outros lixos da vida, alimentando medos e mais medos, por que não se aconchega aqui comigo, abraçadinha, sentindo o frescor da brisa? Eu pego uma cervejinha pra gente, frito uns pasteizinhos de carne seca com catupiry que sei que você adora. Tenho certeza absoluta, você vai gostar Dani. Desligue isso aí e vem pra cá, amor. Vamos viver de verdade, pelo menos um pouquinho!

– Arre Carlos, você tem é problema. Durma na sala então. Pegue suas coisas e fique à vontade aí, com sua `brisa` ou seja lá o que for. Vou trancar essa porta. Assim, se entrar algum maníaco, só pega você. E feche as cortinas pras vizinhas fofoqueiras não ficarem comentando que te coloquei na sala, podem espalhar fofoca de que estamos nos separando e não quero conversinhas pra cima de mim depois.

– Dani…!

– Sem conversinha pra cima de mim também. Boa noite!

– Boa noite, amor…

Daniela trancada. E Carlos, de portas abertas.

Ir e vir

Algumas pessoas vem e vão. Outras ficam durante umas horas, dias, meses, anos.. mas se vão também. Talvez voltem. E quando voltam, é uma surpresa e nostalgia incomparáveis.

Esses dias reencontrei pelo facebook alguns grandes amigos dos quais a rotina, dia-a-dia, diferenças que surgem com o tempo, separou. É engraçado notar como mudamos e, ainda assim, continuamos um pouco os mesmos… Os corpos mudaram, as vozes, a rotina de cada um de nós mudou e por mais que não tenhamos mais um ponto de tangência entre nossas vidas, o carinho se mantém. Manteve-se por longo tempo apesar da distância bem grande de alguns cinco anos,por aí.

Nos reencontramos, e é muito bom poder conversar de novo. O reencontro depois de muito tempo tem um quê de especial, talvez porque demonstre que no fundo, bem lá no fundo, talvez no canto de uma caixa de fósforo guardada num armário de memórias velhas, um pedacinho de carinho e lembrança mantiveram-se vivos por todo esse tempo.

ps* Não sei por que, mas o player com o vídeo não está aparecendo =/ Fiquem com o link então!!
Bossa N` Roses – November Rain

Bossa n` Roses – November Rain
“When I look into your eyes
I can see a love restrained
But darlin’ when I hold you
Don’t you know I feel the same

‘Cause nothin’ lasts forever
And we both know hearts can change
And it’s hard to hold a candle
In the cold November rain

We’ve been through this such a long long time
Just tryin’ to kill the pain

But lovers always come and lovers always go
An no one’s really sure who’s lettin’ go today
Walking away

If we could take the time
To lay it on the line
I could rest my head
Just knowin’ that you were mine
All mine

So if you want to love me
Then darlin’ don’t refrain
Or I’ll just end up walkin’ In the cold
November rain

Do you need some time…on your own
Do you need some time…all alone
Everybody needs some time… on their own
Don’t you know you need some time…
All alone

I know it’s hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if you could heal a broken heart
Wouldn’t time be out to charm you

Sometimes I need some time…on my own
Sometimes I need some time…all alone
Everybody needs some time… on their own
Don’t you know you need some time…
All alone

And when your fears subside
And shadows still remain
I know that you can love me
When there’s no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
‘Cause nothin’ lasts forever
Even cold November rain

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody”

Varre varre…

Os cheiros são sempre novos e marcantes, a umidade parece ser sempre a mesma… mas não é. E os anos vem, e os anos vão.

Não sei o que escrever… queria ser menos sentimental, mas como sou todasentimento, acho difícil fazer algo que considere decente sem me envergonhar depois. É.. acho que é isso por hoje.

Estou num clima cinematografia da minha vida, embalado por: Red Dead Redemption Soundtrack – Dead Mans Gun Original Track .
Ouvir pelo youtube é legal, pra ter uma noção de como eu me sinto.
Já que por palavras é insuficiente, talvez a música cumpra esse papel.