Completude incompleta

2012 tem sido um bom ano. Consegui a tão desejada vaga na faculdade que eu sonho há anos, voltei a fazer as coisas que não são só ficar final de semana em casa estudando, passeios leves e só aulas durante a semana.. Comecei cursos novos, to tentando me livrar de sedentarismo (vai chover canivete!), e to saindo bastante!!! Isso tudo me deixa feliz, sinto que estou fazendo coisas diferentes, sinto que estou em movimento. Mas, por outro lado, acho que deixei a desejar nos estudos. Não me cobro, afinal acabei de entrar na faculdade e foi uma luta árdua e muito estressante todo o processo do vestibular, sofri demais, e por isso no momento estou satisfeita em passar de ano.

Parece, então, que tá tudo bem, tudo certo. Não posso reclamar muito, realmente as coisas estão indo bem. Mas é que, sei lá, agora que posso aproveitar os feriados queria viajar mais. Mas é difícil, porque cheguei numa idade em que quase todos meus amigos trabalham ou tem outras prioridade e quase ninguém se dispõe a isso. Eu posso estar exagerando, mas é isso que vejo. Tentei duas vezes esse ano fazer viagens e no final foram frustradas, e eu realmente quero muito mesmo sair de São Paulo e ficar um pouco distante não só da cidade, mas de todas as coisas ruins dela. Quero ir para lugares mais silenciosos, com um cheiro verde e, no entanto, vejo ser cada vez mais difícil conciliar horários e interesses com meus amigos. Me pergunto se não perdi tempo de viver, aproveitar a hora certa de viajar, enquanto era mais jovem. Acho que é bobagem, afinal ainda sou jovem… Mas a sensação do tempo passar e eu não viver as vezes é tão grande que me consome, me deixa aflita. Olha só, é uma contradição interna… não disse agora pouco que estou saindo bastante esse ano? Pois é, anda assim me sinto muito presa! Não sei porque sinto isso, só sei que sinto… talvez seja algo da idade, não sou só eu que tenho essa impressão, mas como fazer para ela ir embora??

Talvez o único jeito seja se esforçando pra fazer o que quero,oras, viajar! Com o passar do tempo vou ter mais responsabilidades e mais dificil isso será.. mas faz parte da vida né? Queria não ter essas sensações de perda de tempo, mas já que tenho o único jeito é lidar com ela..

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Resíduos: de tudo fica um pouco

“De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
? vazio ? de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil…
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver… de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.”

(Carlos Drummond de Andrade)

Mais amor, por favor!

Falta amor. É isso que torna o mundo tão duro, tão cruel, tão frio. É isso que nos torna objetos sentimentais.

Todos nós precisamos de amor. Palavras doces, simpáticas. Um olhar atencioso. Um bom dia, talvez… Precisamos amar os outros, amar os diferentes, amar a si mesmos. Deveríamos olhar para a pessoa ao lado e inspirar amor.

Por que tão difícil?

    Sou amante da vida. Amo sentir-me viva. Amo sentir o calor das pessoas e o frio do vento que transpassa meu rosto ao cruzar a rua. Preciso de amor pra viver. Tão bom morrer de amor e continuar vivendo!

Já cheguei a duvidar da minha capacidade de amar. Realmente, não amamos igual nada e ninguém. Cada coisa tem seu especial. Amo o brilho do sol, amo diferentes sorrisos, amo amo amo demais. Isso é o mais importante…

Tão bom morrer de amor e continuar vivendo!

É aí que tá!

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..”

“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.”

“Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.”

 Guimarães Rosa

*

E não é que enlouqueci? Surtei, desandei, desvairei! Ando no meio fio, pulo bueros e corro pro ponto. Depois, ainda consigo me apaixonar, apaixonar, apaixonar por tudo que vejo! Se não é a árvore, cheia de flores, linda? Se não é o raio de sol, por entre as nuvens, divino? Se não são vocês, dentro de mim, amores? Problemão esse ser-apaixonado! Problemão, porque se perde, vive perdido, no labirinto que é não saber o que fazer, e fazer tudo certo e errado ao mesmo tempo… mas é bom, gosta tanto de sonhar!

Todas pessoas tem labirintos, é verdade. Mas o meu é diferente. É cheio de imaginação. E nesse cenário novo, de paredes novas e pinturas desconhecidas, não sei o que fazer, e acabo fazendo tudo errado.

Tudo errado.. do mesmo jeito que fizeram comigo. Errado.

É, brincar de viver em montanha-russa não vai ser fácil… Acorda menina!

Efeitos

 Retrato de uma francesa – 1946 –  Pablo Picasso


         É assombroso o efeito que tudo me causa. Chuva, sol, vento ou até mesmo um sorriso já conseguem mexer com meu dia, deixando-o mais feliz… Mas a falta de tudo também me causa um enorme efeito. Me deixa morna, meio pra lá e meio pra cá, assim, sem saber de nada e querendo tudo, ao mesmo tempo.
Aquele calor do abraço me faz falta, sabia? A risada das bobagens também me deixa uma dorzinha de saudades. E as horas corridas, que voavam na tarde e na noite – porque dia era pra dormir – também deixaram marcas.
Pior de tudo é não ter a cumplicidade, a parceria, essa sensação de completar o quebra-cabeça… Sinto tanta falta! E essa falta me dói por dentro, me deixa sem respirar direito, inquieta!
A falta me machuca. A gotinha da chuva, o calor do sol e o passar do vento tão aí pra compensar a falta e me curar. Depois de vocês, só eles me fazem sentir viva…

Todo sentimento

Engraçado… o amor é tema de milhões de músicas, poesias, romances, filmes… mas quem de fato sabe o que é? Parece ser necessário explicar algo que não se entende, que não é capaz de ser organizado em idéias lógicas, racionais…

Desisti de tentar explicar o que é amor, ou de me convencer de alguma definição. Amor é um sentimento nobre porque só é possível sentir, e quem sente sabe. Amor não se explica. Amor não é paixão. Amor é amor.

Hoje estou muito docinha porque sinto falta do abraço apertado e sincero, da risada das besteiras ditas e não ditas, dos beijinhos bobos, das ligações no celular sem hora e sem razão…  Apesar disso, ainda preciso ficar sozinha… e vou vivendo minha solidão, vivendo a falta do meu amor… se é possível isso ser possível…

“Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente…
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

Bem vindo 2012

2011 termina com não ter passado na Fuvest2011 e ter ido pra segunda fase da Fuvest2012, dois anos de cursinho, estar habilitada, reformado meu quarto, reformado o banheiro aqui de casa, trocado de carro, mantido amizades do colégio, consolidado amizades do ano passado e feito novas amizades. Termina com mais paz em casa,  saúde,  muito esforço,  poucas saídas e pouquíssimas baladas, mas muuita unha pintada(por mim mesma, quem diria!),  mais liberdade e autoconfiança,  amor verdadeiro,  músicas que me apaixonaram e fizeram minhas manhãs melhores,  menos agitação e mais sossego, muito mais sossego.
Termina com mais segurança, termina com uma decisão mais segura de tomar outros rumos, porque fiz o meu melhor e se não der, paciência porque nem sempre temos tudo aquilo que queremos.

Terminou sendo um ótimo ano, apesar de ter sido um ano de privações e também de certas decepções. E isso é o mais legal: as coisas boas marcaram mais!

*

Que venha agora 2o12 com toda força, cheio de velocidade e intensidade. Vai ser um ano de mudanças.
Sacode a poeira, abre a janela, aumenta o som.. é hora de limpar a casa, receber as visitas, e curtir as festas…!

Admiração, valores, dúvidas, divagações

“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente. Imaginava uma cratera negra dentro da qual os pecadores mergulhavam sem socorro. Contudo, não conseguia visualizar os corpos lá no fundo e isso me apaziguava. E quem sabe um ou outro podia se salvar no último instante, agarrado a uma pedra, a um arbusto?… Bois e homens podiam ser salvos porque o milagre fazia parte da higiene mental. Bastava merecer esse milagre.”

Lygia Fagundes Telles

*

Até os meus treze anos, eu não fazia muita ideia do que gostava. Não que eu tenha exatidão alguma agora, mas bem mais do que antes… Foi na oitava série que eu “descobri” o encanto que as ciências humanas me davam. Até então eu queria estudar medicina, fazer cirurgia plástica, reconstrução de queimados. Era um projeto nobre, mas perdeu espaço dentro de mim.

Sempre fui meio maluca, sem noção. Impulsiva em certas situações, falava demais para gente demais. Não gosto injustiça, nem de gozar da desgraça alheia (apesar disso acontecer com alguma frequência e depois ficar me culpando por isso). Sempre gostei de discutir e perder uma discussão é algo que me incomoda até hoje. Não acho que isso seja algo do que se orgulhar, mas enfim, faz parte do meu jeito. O que interessa é que estar relacionada com o ser humano, com as ideias, com as sensações e o subjetivo sempre me encantou, mas nunca percebi o quanto esse encanto poderia crescer. Foi no ano de 2006 que descobri.

Nesse ano tive aulas com um professor de história que, de algum jeito, mudou minha vida. Aprender sobre Segunda Guerra Mundial, Imperialismo e outros assuntos nunca foi tão interessante, tão intenso. Não pelo assunto em si, mas pela abordagem que o professor conseguia dar em sala de aula. Eu sentia os assuntos, e gostava. Foi dado o gatilho para um amor que se mantém até hoje.

Depois do ensino fundamental, veio o médio e todas suas preocupações. Que curso prestar? Veterinária, medicina, relações internacionais, administração.. milhões de dúvidas normais, e ao final optei por direito. Minha escolha tem uma carga de idealismo muito forte, porque busco através dela me sentir útil a sociedade. Se eu pudesse, como jovem sonhadora, claro que mudaria o mundo. Evitaria sofrimentos, injustiças; poria um fim a pobreza. Mas.. são só sonhos. O mundo sempre foi desigual, e sempre será. Não é pessimismo, é fato. O ser humano é demasiado podre, e só com seu fim teria fim a desgraça do mundo. E será que teria graça?  Mesmo sabendo da realidade, optei por realizar um sonho. Me sentir útil..

Aquele meu professor da oitava série fez parte dessa escolha. Ele não sabe, e talvez nunca venha a saber, o quanto eu passei a admirar seu trabalho e de todos os professores, professores de verdade. Aqueles que tentam, de algum jeito, tornar seus pupilos pessoas melhores, não apenas no aspecto intelectual e conteudista, mas no aspecto humano. E é esse tipo de educação que falta a maioria das pessoas, é algo que se aprende. Como é bonito isso! Uma migalha na imensidão de gente, uma migalha de pouca gente, tenta de alguma forma influenciar positivamente os que estão ao seu redor, ensinando valores. E os professores tem uma grande vantagem, pois a escola é o lugar ideal para esse tipo de ensinamento porque os alunos veem na figura daquele que segura o giz alguém que deve ser ouvido, alguém que tem algo a ensinar.

Podemos aprender valores com quem convivemos através do simples ato de `conviver`, mas muitas vezes essas lições passam despercebidas. Enfim…

Se hoje busco me aperfeiçoar enquanto ser humano, se me preocupo com o outro e com o efeito de minhas ações, devo isso em grande parte aos mestres que fizeram parte da minha trajetória. As ciências humanas, paixão que mantenho, foram um ponto de contato, uma coincidência. Já fui muito ingênua em pensar que elas eram mais `humanas` em relação as demais. Isso não existe. Filosofia e matemática se completam, não se excluem. Uma gera perguntas a outra, e talvez tenhamos nos esquecido disso devido a imensa carga racional que o ensino e a sociedade atual exigem. Por que o céu é azul? Pode até ter uma resposta racional, física, mas sempre surgirá a questão: e por que É assim? , que talvez a filosofia tenha mais sensibilidade em tentar explicar.

Sensibilidade. Gosto. Valores. São alguns exemplos de `coisas` que aprendi com meus mestres. Mestres não no contrato trabalhista, não como profissão registrada; como pessoas. Mestres podem ser amigos, parentes, chefes, professores. Tornam-se mestres sobretudo pela admiração que conseguem criar, esse vínculo de distânciamento que potencializa palavras e ações, tornando-as fortes suficientes para rasgarem nosso interior, redesenhá-lo.

Já estou divagando, mas tudo bem, faz parte… escrevo por necessidade, e necessidades não precisam ter começo, meio e fim..