Resumo de 2015, bem-vindo 2016.

Acredito que um dia a mais é, também e sempre, um aprendizado a mais, e que até mesmo dentro da rotina pequenos acontecimentos – detalhes, talvez – podem provocar uma revolução imensa dentro de nós. E o ano passado não fugiu à regra, pois foi de intenso aprendizado.

2015 foi um ano cheio de revoluções internas, marcado por uma rotina agitada e tranquila ao mesmo tempo, mas sempre alegre. Foi, também, marcado por fatos tristes e ruins, os quais ao menos contribuíram como combustível para essas micro revoluções.

2015 foi o ano que jogou na minha cara que devo ser menos permissiva com circunstâncias que não gosto, devo aprender a dizer mais nãos se quiser ter paz, pois caso contrário o acúmulo de angústia e irritação pode me levar para caminhos que não gostaria de trilhar. E, de outro lado, também jogou na minha cara que devo deixar de arrumar desculpas e de colocar meus desejos de lado – é preciso gastar energia para romper com a inércia e fazer o que realmente tenho vontade (como li uma vez por aí, quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa).

2015 também foi o ano que me mostrou o ‘poder da rotina’ (pequenas mudanças de hábito que, pouco a pouco, transformam-nos completamente!) e que consolidou a noção de que cada coisa tem seu tempo certo de ser, ajudando a controlar minha ansiedade.

Por fim, o que esperar de 2016? Consolidar o que aprendi em 2015 (dizer mais nãos; procurar meios de realizar os meus sonhos e parar de arrumar desculpas para minha inércia; adequar e organizar minha rotina para realizar meus projetos) e ter mais paz e saúde. Espero que seja um ano com mais fatos marcantes bons do que ruins. É isso.

Perdão existe?

Quem me conhece ou acompanha o blog há algum tempo sabe que nos últimos tempos dois eventos me abalaram muito. O primeiro foi o fim de um namoro de sete anos, o segundo foi o divórcio dos meus pais.

Sem querer entrar na particularidade dos dois casos, o fato é que hoje, mesmo passado relativamente um bom tempo dos dois eventos, ainda não consigo superar com tranquilidade tudo o que aconteceu.

Queria, de verdade, poder não me chatear mais. A vida anda, as coisas mudam, as pessoas mudam, e erram, e muito. Então por que perder tempo com sentimentos ruins, quando se pode guardar e, quem sabe, ainda cultivar só as coisas boas?

Embora tanto meu ex-namorado quanto meu pai tenham feito coisas as quais me magoaram muito, por que perder tempo com isso? Tenho tantas memórias boa, momentos de carinho e diversão. Por que se apegar às coisas ruins, sentir o gosto seco e amarrado da mágoa?

Queria entender como é que faz para perdoar. Faz uns bons anos (sim, anos) que tento praticar o perdão no cotidiano. Acho que já consegui me livrar de uns 70% de mágoas, mas os outros 30% ainda estão lá, me incomodando.

Queria acordar e esquecer todas essas bobagens que fazem a gente perder tempo.

Por que cultivar sentimentos ruins é perder tempo, e vida.

Eu não quero isso pra mim.

Será que um dia vai dar certo?

Quando começamos a trabalhar e a conquistar nossa independência financeira, é impossível não deixar de pensar no sonho de ter a casa própria. Um cantinho pra chamar de “meu”, (des)arrumado do meu jeito. Quando pequena, adorava jogar The Sims e montar a casa dos sonhos, visitava sites de decoração imaginando como seria a minha.

Acontece que agora, podendo fazer um planejamento financeiro, juntar uma grana suficiente para comprar uma toca qualquer não é tarefa fácil. Nunca foi, mas com o preço dos imóveis nas alturas, parece impossível. Já me conformei que talvez só consiga morar antes dos 30 ou em regiões centrais desvalorizadas, ou em regiões periféricas. O problema é que ainda assim é muito difícil juntar um bom dinheiro para dar de entrada em um financiamento (e consequentemente diminuir o valor das parcelas) e ainda assim ter algum ‘resto’ para a decoração.

Morar num apartamento no centro de São Paulo não é má ideia, porque além de ser perto do meu trabalho, é uma região cheia de serviços, transporte público, enfim, dá pra se viver sem carro e bem perto de teatros, bares, cinemas. Mas queria mesmo é morar em casa, com churrasqueira ao fundo, janelas bem grandes, um jardim gostoso e espaço para ter cachorros. Será que dá para conciliar isso com as facilidades (e problemas) de morar na região central? Também existe a possibilidade de alugar um imóvel, mas sem a liberdade de poder usar dele como quiser, por exemplo, fazer reformas.

Será que um dia vai dar certo? Por enquanto sigo sonhando e guardando dinheiro.

Natal de ponta cabeça, cabeça em pé e algum sentimento.

Final de mais um ano e, com ele, as reflexões sobre como aproveitei (ou não) meu tempo, o que deveria ter feito (ou não), se o saldo final foi positivo (ou não). Acontece que 2013 começou com um pedido muito simples, porém essencial: PAZ. Lembro de ter pedido com todas as forças na virada do ano que meu coração fosse capaz de se acalmar, que as mágoas se tornassem pequenas ou, então, sumissem por completo. Pedi para parar de perder o sono e o ar quando pensasse em algumas pessoas, quando pensasse em como era meu relacionamento com elas e em que ele se transformou.

Pedi muita paz, porque meu coração estava magoado, ferido. E não foi apenas a ferida causada por uma decepção familiar ou amorosa mas, além disso, era uma decepção comigo mesma. Eu estava decepcionada por não conseguir perdoar, por manter a raiva, o ódio, o incômodo. Queria parar de sofrer e, se possível, também parar de fazer outros sofrerem.

Se consegui realizar? Acredito que sim. Mas isso só foi possível quando admiti para mim mesma que, quando o assunto é sentimento, a gente tem que seguir o coração. Como já diria um poeta por aí, se perceber que tiver que seguir, siga… Se achar que precisa voltar, volte… E foi exatamente isso que fiz. Deu uma acalmada por dentro, estou mais feliz.

Entretanto, como nem tudo é rosas, esse ano tive que experimentar o primeiro natal após a separação dos meus pais. Aliás, talvez a melhor definição seja a de que a separação ocorreu no natal. E aí me senti naquela corda bamba de circos, sabe? Tentando manter o equilíbrio pra não despencar de um lado e nem do outro, tentando manter os olhos a frente para seguir no fio, caminhar seguramente até a outra ponta.

E pensar que ano passado estava eu, meus pais e meus irmãos viajando, passamos o natal e o ano novo todos juntos. Desde a época em que começou minha maratona de vestibulares eu não passava o ano novo com todo mundo junto e misturado. O natal a gente até ficava junto, mas eu sempre tinha aquela cobrança de estudar e não conseguia aproveitar nada… enfim, é muito esquisito olhar para um ano atrás e perceber que minha vida virou de cabeça para baixo. Nesse ano me senti realmente dividida entre as novas ‘duas famílias’, e confesso que tenho o medo de perder os laços com meu pai. Além dessa sensação desconfortável, ter que aturar olhares e perguntas de familiares sobre o divórcio dos meus pais têm sido um saco. Aliás, todo esse processo tem sido um saco.

E por todo esse redemoinho de sentimentos estar ocorrendo agora, no natal e no ano novo, é que tenho pensado mais do que nunca sobre o significado desses dois momentos. Há quem diga que são apenas datas comerciais, hipócritas e blablablás. É verdade, não nego. O apelo comercial desses períodos é gigante e já ‘faz parte’. Mas não é sobre isso que quero falar.

Queria dizer que tenho pensado a todo instante para quais caminhos estou conduzindo minha vida e meus relacionamentos, e se estou segura de mim. Pensado se é possível reconstruir relacionamentos ou reforçar os laços já existentes. Pensado se será possível alguma vez, algum ano, me sentir bem em estar com a família (tanto do meu pai quanto da minha mãe) reunida e me sentir bem, me sentir realmente parte dela. Porque estou farta de precisar cumprir protocolo familiar e estar apenas em corpo nos lugares, com a mente além em qualquer lugar distante. Estou farta de precisar sorrir e fingir uma falsa intimidade com familiares que, durante todo o resto do ano, troco meia (ou nenhuma) palavra.

Também tenho pensado sobre relacionamento. O começo, o meio, e o fim (ou não) de uma amizade, de um amor, de um vínculo familiar. Não acredito em paixões eternas e nem que os pais e o filhos devem a tudo perdoar e a todo custo manter o vínculo que os une. Mas acredito que, por mais que as algumas coisas mudem (e muito), outras se mantém (ou deveriam se manter) intactas.

Por exemplo, quando um relacionamento amoroso tem um fim, embora as duas partes estejam magoadas (uma mais que a outra, ou as duas destruídas), é preciso que a ruptura, a qual por si só já é desgastante, se dê de forma mais respeitosa possível. É preciso lembrar das coisas boas, do passado junto, e tentar não magoar ainda mais. O mesmo vale para os amigos e a família.

Sabe, porque as pessoas simplesmente ligam o ‘foda-se’ para os sentimentos de quem, outrora, foi seu/sua companheira de vida? Não estou pedindo que fiquem juntos para sempre, amigos de berço, mas sim um mínimo de cuidado para evitar esfacelar ainda mais o que já tá trincado ou aos cacos. Um mínimo dever de cuidado e respeito com o próximo, penso eu. Fins fazem parte da vida, mas não precisam ser tão dolorosos.

O bom de tudo isso, de todos questionamentos e sentimentos revirados, é que toda bagunça precede uma boa arrumação. E por mais difícil que seja, é bom tentar colocar a casa em ordem, a mente em ordem. Seguirei tentando.

“Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente!
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-as.
Se perder um amor, não se perca!…
Se o achar, segure-o!
Circunde-se de rosas e ame…
O mais é nada”.

Fernando Pessoa

 

O Brasil dos últimos tempos

Já faz um pouco mais de um mês que manifestações ganharam força no país. Essa ‘onda’ de protestos começou miúda e muito criticada pela maior parte da população, que enxergava os manifestantes como ‘baderneiros’, ‘filhinhos de papai’, ‘sem noção’. Essa imagem foi desfeita após o fatídico dia 13 de junho.

Foi no 13 de junho que a história ganhou direção nova. Diante das agressões sem causa de policiais despreparados e alguns, quiçá, maldosos ( cheguei a essa conclusão depois disso e disso), que resultaram em agressões feitas a vários repórteres e denúncias de exagero e de violência da PM feitas por milhares de pessoas através das redes sociais, os protestos deixaram de ser por apenas ’20 centavos’ e ganharam uma dimensão gigante, energia pulsante com um toque de patriotismo cego.

Foi depois do 13 de junho que milhares de brasileir@s foram às ruas, reivindicando tudo e nada ao mesmo tempo. Numa mesma multidão encontrava-se cartazes pedindo pela ‘redução da maioridade penal’ enquanto, ao lado, outros pediam pela ‘humanização do cárcere e desmilitarização da polícia’. Como pode, Deus? Essa é apenas uma das mil contradições que observei quando participei da manifestação do dia 17, segunda feira. Mas essas contradições se mantiveram em quase todos protestos seguintes.

‘Mais educação! Mais saúde! Menos corrupção!’ No geral é isso que todos queremos. E depois da invasão ao prédio do Congresso ocorrida também na segunda, ficou claro que a exigência das ruas era séria. O parlamentares, então, fizeram uma ‘agenda positiva’ para tentar ‘parir’ em alguns dias alguns dos projetos que deveriam ter sido decididos há anos. Foi assim com os royalties do pré-sal e também com a PEC33. Incrivelmente parecia que as coisas começaram a se encaminhar. A presidente criou também uma agenda de ‘políticas’ de urgência que deveriam ser discutidas, avaliadas e, então, postas em prática. Ficou claro que o Wellfare State brasileiro estava sendo cobrado. O povo quer seus direitos, agora!

Interessante foi que meses antes eu tive que ler vários textos sobre o Estado de Bem-Estar Social e a o Princípio da Proibição do Retrocesso ou Cláusula da Proibição do Retrocesso, segundo o qual o direito não poderia retroceder nunca, somente avançar. E isso inclui os direitos sociais, conhecidos também como ‘direitos do cidadão de obter uma prestação positiva do Estado’. Simplificando: o Estado só pode oferecer mais e mais direitos sociais, jamais retroceder e cortá-los. Pois, caso o fizesse, ocorreria o que estamos vendo ocorrer na prática.

Mais interessante também é notar que, no caso brasileiro em questão, não houve retrocesso em direitos sociais como ocorreu na França e outros países europeus, que tiveram de lidar com cortes para superar a crise de 2008. Também não é um movimento contra governos ditatoriais, como ocorreu na Primavera Árabe e acarretou na queda de vários governos (entre eles, o que mais me marca a memória é o do ditador líbio Muammar Kadhafi, cujas fotos morto circularam pela internet).

O caso brasileiro é um tanto… diferente. Saímos às ruas para exigir mais direitos e mais qualidade deles. Vivemos uma democracia há pouco mais de 20 anos, e é uma democracia bebê ainda. Estamos aprendendo. Nossas organizações políticas não são das melhores, nem das mais transparentes. Mas estamos no caminho… reivindicar faz parte disto. Mas.. será que estamos fazendo certo?

Ficou claro que o ‘jogo’ só virou a favor dos manifestantes depois que repórteres foram agredidos por policiais naquela noite de quinta. Não há lideranças vivas nos movimentos. Não há pautas claramente definidas. Partidos políticos foram hostilizados em vários dos protestos. Será que sabemos o que queremos e para onde caminhamos? Onde está nossa memória recente dos tempos de ditadura, no qual os partidos eram proibidos, lideranças eram perseguidas? E as semelhanças do movimento de massa, antipartido e super nacionalista com o nazismo?  Será que o povo brasileiro realmente ‘acordou’ ou virou moda sair nas ruas para depois postar uma foto com amigos nos protestos?

O que tenho visto é uma preocupação grande dos governos em atender as demandas populares. A presidente tem feito um esforço em definir as políticas públicas, repensar o papel dos serviços públicos. Não sei se é o ideal. Mas está tentando. E, em contrapartida, não vejo maior esclarecimento da população sobre como, de fato, ser possível executar o que se pede. E é aí que entra o Princípio da Proibição do Retrocesso. Será que nosso governo tem realmente condições de arcar com 100% dos transportes, da saúde, da educação e de diversos outros segmentos sociais?

Existe o lucro dos patrões, a exploração da mão de obra. Mas também existem os empregados desinteressados, o trabalhador que faz trambique. Não existe maniqueísmo nas relações humanas. Há pessoas e pessoas, sistemas e sistemas, vários meios de se tentar obter maior qualidade de vida com o mínimo de sofrimento possível.

Estamos tod@s cansados do trânsito, dos atendimentos ruins (tanto do setor público como do privado), da precariedade dos serviços (os dois tipos também). Será que só cobrar o governo resolve? Será que apoiar essa ‘luta de classes’ entidades privadas diabólicas x trabalhador oprimido é o suficiente, é o necessário, é o que de fato promoverá mudanças?

Não sei. O que sei é que não adianta acusar, apontar o dedo para arrumar um culpados por todos os problemas do mundo e das outras galáxias. O inferno sempre será os outros. Talvez, antes de levantar a bunda pra ir pra rua levantar cartazes e dizer que ‘O Brasil acordou’, tenha mais efeito repensar os próprios comportamentos e medidas melhores que tornem melhor a vida de tod@s, sem maniqueísmos pseudocientíficos.

Talvez eu tenha perdido um pouco a ilusão de viver num mundo 100 por cento igual, pleno equilíbrio entre tecnologia, conforto e meio-ambiente, sem opressão social, sem sexismo, sem racismo, sem homofobia, sem gente passando fome… sem todos os exageros ruins enquanto poucos consomem direitos e dinheiro sem se preocupar com o amanhã.

Mas, se acredito em algo, acredito que podemos mudar para melhor. Talvez não eliminar completamente as diferenças (até porque nem biologicamente somos iguais, não existe igualdade inteira..), mas sim criar uma igualdade com respeito a essas diferenças, uma igualdade que possibilite a todos uma existência digna e um futuro seguro, saudável.

Pensar em uma solução plausível tem mais efeito do que vaiar a presidente. Desejamos para ontem, nos planejamos para o futuro. Mas e o agora?

*

Ontem (10 de julho) a presidente foi vaiada após anunciar repasse de bilhões para os municípios. (Veja aqui!) O futuro não é feito ontem. Não sei ainda como avaliar o progresso dessas medidas, afinal dependerá também de esforços das administrações estaduais e municipais. Mas precisava vaiar? Num primeiro ponto de vista me pareceu revolta de criança mimada que não sabe o que tá falando, o que tá pedindo. 

Amanhã está marcada a Greve Geral dos Sindicatos e de outras associações de trabalhadores. O isso que vai dar?

A Porta

– Fecha a porta.

– Não não, vou deixar aberta pra entrar um ar mesmo.

– Mas tá de noite, olha as horas!

– O ar da noite é mais fresco.

– É perigoso, nunca se sabe se pode vir um bandido! Semana passada parece que a casa da Jô foi assaltada!

– Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

– Exato, agora pode ser nossa casa, fecha a porta Carlos!

– Não vou fechar não, se você quiser fechar, feche-a você. Arre, quanto medinho por nada. Fica vendo Datena de tarde, dá nisso.

– Nisso o que?

– Nesse medo louco que você tem de tudo, até de uma porta aberta pra entrar um ar.

– Aberta pra entrarem na nossa casa, é isso que você quer dizer né. Se quer que entre ar, abra as janelas, uai!

– Não é a mesma coisa. Só uma porta aberta tem as sensações de frescor e liberdade tão difíceis de encontrar nesse calorzão dos infernos.

– Mas Carlos, querido, se quer vento abre a porta do quintal, abre as janelas, liga os ventiladores… Mas não deixe a porta assim, escancarada, de noite!

– Você tem medo do que, Daniela?

– Medo do que todo mundo tem, de morrer.

– Acha que uma porta aberta de noite vai te matar?

– Não, mas pode ajudar, facilitar. Nunca se sabe, vira um convite pra bandidos, gente mal intencionada. Se sabem que a casa é cheia das rapariga, vai que surge até um safado sem vergonha que tente se aproveitar das meninas! E você é louco, com essas lorotas de frescor e liberdade. Pra que tanta frescura? E essa bobagem de liberdade? Santo Deus! Livre você não vai é ser na mão de delinquentes!

– Dani… Mas é que… perdemos tanto de nossas vidas por causa desses medos bobos. Quero dizer…  É claro que existem riscos. Mas eles estão soltos por aí, espreitando as vítimas do acaso. Ninguém está sempre seguro, e nessa de querer preservar tanto a vida, perdemos ela em detalhes. É a feijoada da Tia Maroca cheia de gordura, vai que aumenta meu colesterol e me mata do coração? É o cigarro não fumado, vai que dá câncer, não é mesmo? A cerveja não bebida, o doce não saboreado, a paixão não vivida. Quantos momentos bons perdemos para evitar suas consequências, seus riscos!

– Você deu agora de fumar, safado? Se a gente tá junto é porque eu não esperava ter segredos com você, se tiver que falar alguma coisa fale de uma vez, não fique dando voltas e voltas pra me enrolar! Desde quando você fuma? Quem te colocou nessa roubada? Certeza que foi o Vitinho, CER-TE-ZA! Tinha que ser aquele safado, bêbado e arrogante!

– Não não Dani! Que fumar o que! Eu não fumo, foi um exemplo! É um prazer que não faço questão de ter, acho fedido, sei lá! E o Vitor não tem nada a ver com isso, porque você vem com essas agora? Me deixe terminar!

– O que é, então?

– É que eu acho que temos, as pessoas todas, medos demais e vida de menos. Não to falando em ter uma vida libertina, mas o equilíbrio é fundamental. Depois de ficar preso horas no trânsito, no calor dos infernos, eu quero sentir a brisa vinda da porta. Por que não posso ter esse prazer, tão simples? Enquanto você fica aí, assistindo Cidade Alerta, Datena e outros lixos da vida, alimentando medos e mais medos, por que não se aconchega aqui comigo, abraçadinha, sentindo o frescor da brisa? Eu pego uma cervejinha pra gente, frito uns pasteizinhos de carne seca com catupiry que sei que você adora. Tenho certeza absoluta, você vai gostar Dani. Desligue isso aí e vem pra cá, amor. Vamos viver de verdade, pelo menos um pouquinho!

– Arre Carlos, você tem é problema. Durma na sala então. Pegue suas coisas e fique à vontade aí, com sua `brisa` ou seja lá o que for. Vou trancar essa porta. Assim, se entrar algum maníaco, só pega você. E feche as cortinas pras vizinhas fofoqueiras não ficarem comentando que te coloquei na sala, podem espalhar fofoca de que estamos nos separando e não quero conversinhas pra cima de mim depois.

– Dani…!

– Sem conversinha pra cima de mim também. Boa noite!

– Boa noite, amor…

Daniela trancada. E Carlos, de portas abertas.

Nada melhor que…

acordar cedo, café, trabalho, estudo, almoço, café, trabalho, estudo, cansaço, mil sonhos por fazer, até um pouco de ansiedade, muita muita vontade, dormir tarde, exausta, dormir pouco e, aos finais de semana, sair, dormir, estudar e recarregar tudo de novo… é uma delícia viver sentindo-se viva.. melhor ainda com pão na chapa e chamego pela manhã

Fato

Esse gosto amargo, esse cuspe seco, essa dor que não estanca nunca. Lembranças já me vem a mente como se o luto já fosse parte da minha vida – não é, mas será. Essa certeza da perda sufoca, atropela, assassina, estilhaça, arrebenta, tudo, tudo por dentro, nos mínimos detalhes. Dói demais.

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Ignorância é uma bênção

Você aprende a ignorar. Aprende a não se importar, aprende a suportar tudo. Quando sua unica escolha é simplesmente fingir que nada aconteceu, você acostuma. A unica saída é olhar para os lados e agir como se não fosse com você. A unica saída é ser ignorante. E então, você verá quem realmente se importa, quem não desiste e vai atrás de você, da pessoa que você era.

*

— Anota aí para seu futuro menina: desapegar das pessoas, se importar menos, não se abalar por nada nem ninguém, correr atrás daquilo que faça seu coração vibrar, ficar perto de quem te quer bem, correr atrás dos seus sonhos, se amar mais, esquecer tudo aquilo que te faça mal. Anota aí: cair na real.

Caio F.

“Pare de correr atrás. Pare de se importar. Seja indispensável, DESAPEGUE. Pessoas GOSTAM do que não tem”

Dr. House

Ir e vir

Algumas pessoas vem e vão. Outras ficam durante umas horas, dias, meses, anos.. mas se vão também. Talvez voltem. E quando voltam, é uma surpresa e nostalgia incomparáveis.

Esses dias reencontrei pelo facebook alguns grandes amigos dos quais a rotina, dia-a-dia, diferenças que surgem com o tempo, separou. É engraçado notar como mudamos e, ainda assim, continuamos um pouco os mesmos… Os corpos mudaram, as vozes, a rotina de cada um de nós mudou e por mais que não tenhamos mais um ponto de tangência entre nossas vidas, o carinho se mantém. Manteve-se por longo tempo apesar da distância bem grande de alguns cinco anos,por aí.

Nos reencontramos, e é muito bom poder conversar de novo. O reencontro depois de muito tempo tem um quê de especial, talvez porque demonstre que no fundo, bem lá no fundo, talvez no canto de uma caixa de fósforo guardada num armário de memórias velhas, um pedacinho de carinho e lembrança mantiveram-se vivos por todo esse tempo.

ps* Não sei por que, mas o player com o vídeo não está aparecendo =/ Fiquem com o link então!!
Bossa N` Roses – November Rain

Bossa n` Roses – November Rain
“When I look into your eyes
I can see a love restrained
But darlin’ when I hold you
Don’t you know I feel the same

‘Cause nothin’ lasts forever
And we both know hearts can change
And it’s hard to hold a candle
In the cold November rain

We’ve been through this such a long long time
Just tryin’ to kill the pain

But lovers always come and lovers always go
An no one’s really sure who’s lettin’ go today
Walking away

If we could take the time
To lay it on the line
I could rest my head
Just knowin’ that you were mine
All mine

So if you want to love me
Then darlin’ don’t refrain
Or I’ll just end up walkin’ In the cold
November rain

Do you need some time…on your own
Do you need some time…all alone
Everybody needs some time… on their own
Don’t you know you need some time…
All alone

I know it’s hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if you could heal a broken heart
Wouldn’t time be out to charm you

Sometimes I need some time…on my own
Sometimes I need some time…all alone
Everybody needs some time… on their own
Don’t you know you need some time…
All alone

And when your fears subside
And shadows still remain
I know that you can love me
When there’s no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
‘Cause nothin’ lasts forever
Even cold November rain

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You’re not the only one
You’re not the only one

Don’t ya think that you need somebody
Don’t ya think that you need someone
Everybody needs somebody”