Só uma coisa..

Eu não vou pedir nada. Não vou cobrar aquilo que vocês não podem me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiverem comigo, sejam todos “inteiros”. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareçam pela metade. Não me venham com falsas promessas. Eu não quero saber quanto vocês ganham. Quero saber se ganham o dia quando estão comigo…

Todo sentimento

Engraçado… o amor é tema de milhões de músicas, poesias, romances, filmes… mas quem de fato sabe o que é? Parece ser necessário explicar algo que não se entende, que não é capaz de ser organizado em idéias lógicas, racionais…

Desisti de tentar explicar o que é amor, ou de me convencer de alguma definição. Amor é um sentimento nobre porque só é possível sentir, e quem sente sabe. Amor não se explica. Amor não é paixão. Amor é amor.

Hoje estou muito docinha porque sinto falta do abraço apertado e sincero, da risada das besteiras ditas e não ditas, dos beijinhos bobos, das ligações no celular sem hora e sem razão…  Apesar disso, ainda preciso ficar sozinha… e vou vivendo minha solidão, vivendo a falta do meu amor… se é possível isso ser possível…

“Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente…
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

Expectativa

 

Esperava no ponto de ônibus, chovia muito. Céu cinza, vento gelado, mãos dentro da jaqueta. Esperou. Esperou… Olhou o relógio, 16:45. Era só uma questão de tempo, já havia esperado tanto antes. Mas esses minutos breves eram eternos dentro dele.

Sentiu uma gota gelada sobre os cabelos. Já estava ficando impaciente, queria tanto vê-la. Quando chegasse, o que iria dizer? Oi, e aí, como cê tá? Não.. iria abraçá-la primeiro. Não, não! Iria dar um beijo na testa, demonstrar ternura… e aí, tentaria dar as mãos… mas, e se ela não quisesse?  Hum… verdade, talvez fosse cedo demais, melhor ficar só no cumprimento tradicional e desapegado.

Sentiu seu corpo tremer. Talvez fosse melhor ir embora… Não era coisa para ele, não senhor. Ficou tanto tempo distante, talvez o reencontro de nada adiantaria. Provavelmente ela o odiava. Além disso, ele não queria se apegar. Ficou tanto tempo longe, sentiu saudades…  Olhou a fotografia dela na carteira, beijou a foto. Chega logo! Tanto tempo..

Por que fugi todo esse tempo? Foi rebeldia sim, desnecessária. Mentira! Fugi porque precisava. Precisava do meu tempo, do meu canto, das minhas experiências. Sempre gostei de colo, carinho, claro que queria que estivesse comigo, seria mais fácil… mas não seria completo. Eu não estaria completo. Mas se rebelar assim? Ter feito sofrer quem me amava e quem amo, não é certo também… Não sei..

Olhou o relógio novamente, 17:05. Nada… Será que precisa de mim? Não, ela sabe se cuidar sozinha! Me ensinou tudo o que sei. É tão corajosa. Quais transformações deve ter sofrido seu corpo? Da última vez os braços estavam finos, cabelo muito negro e a pele morena, linda. Lembrava da voz, das canções. O cafuné, o colo, as conversas.

A chuva parava. O céu permanecia cinza. Vários carros lentos na via. Era hora de desistir?
Olhou o próprio reflexo numa poça de água no asfalto. Tinha mudado muito por dentro, mas não muito por fora. Talvez um pouco menos de cabelo e a barba por fazer fossem as únicas diferenças notáveis.

Pára um ônibus, várias pessoas começam a descer. Um casal de homens, um senhor e sua esposa, amigas, trabalhadores… ela! Ela! Caramba… continua linda! Coração a mil, queria pedir desculpas, queria abraçar, mas não sabia como!
Abobalhado, chegou perto com um certo receio, temendo alguma repreensão, palavras feias, desafeto.

Com a boca entreaberta, suspirou. Estendeu a mão para ajudar com as malas.
O silêncio era insuportável. O silêncio de estar cara a cara e ninguém dizer nada. Ele tinha que dar o primeiro passo, por que foi ele quem resolveu sair de casa, foi ele quem bateu a porta por último, foi ele.

– E aí… como você tá, mãe?

Aproximou-se e beijou a testa dela, com muita ternura.

Bem vindo 2012

2011 termina com não ter passado na Fuvest2011 e ter ido pra segunda fase da Fuvest2012, dois anos de cursinho, estar habilitada, reformado meu quarto, reformado o banheiro aqui de casa, trocado de carro, mantido amizades do colégio, consolidado amizades do ano passado e feito novas amizades. Termina com mais paz em casa,  saúde,  muito esforço,  poucas saídas e pouquíssimas baladas, mas muuita unha pintada(por mim mesma, quem diria!),  mais liberdade e autoconfiança,  amor verdadeiro,  músicas que me apaixonaram e fizeram minhas manhãs melhores,  menos agitação e mais sossego, muito mais sossego.
Termina com mais segurança, termina com uma decisão mais segura de tomar outros rumos, porque fiz o meu melhor e se não der, paciência porque nem sempre temos tudo aquilo que queremos.

Terminou sendo um ótimo ano, apesar de ter sido um ano de privações e também de certas decepções. E isso é o mais legal: as coisas boas marcaram mais!

*

Que venha agora 2o12 com toda força, cheio de velocidade e intensidade. Vai ser um ano de mudanças.
Sacode a poeira, abre a janela, aumenta o som.. é hora de limpar a casa, receber as visitas, e curtir as festas…!

Admiração, valores, dúvidas, divagações

“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente. Imaginava uma cratera negra dentro da qual os pecadores mergulhavam sem socorro. Contudo, não conseguia visualizar os corpos lá no fundo e isso me apaziguava. E quem sabe um ou outro podia se salvar no último instante, agarrado a uma pedra, a um arbusto?… Bois e homens podiam ser salvos porque o milagre fazia parte da higiene mental. Bastava merecer esse milagre.”

Lygia Fagundes Telles

*

Até os meus treze anos, eu não fazia muita ideia do que gostava. Não que eu tenha exatidão alguma agora, mas bem mais do que antes… Foi na oitava série que eu “descobri” o encanto que as ciências humanas me davam. Até então eu queria estudar medicina, fazer cirurgia plástica, reconstrução de queimados. Era um projeto nobre, mas perdeu espaço dentro de mim.

Sempre fui meio maluca, sem noção. Impulsiva em certas situações, falava demais para gente demais. Não gosto injustiça, nem de gozar da desgraça alheia (apesar disso acontecer com alguma frequência e depois ficar me culpando por isso). Sempre gostei de discutir e perder uma discussão é algo que me incomoda até hoje. Não acho que isso seja algo do que se orgulhar, mas enfim, faz parte do meu jeito. O que interessa é que estar relacionada com o ser humano, com as ideias, com as sensações e o subjetivo sempre me encantou, mas nunca percebi o quanto esse encanto poderia crescer. Foi no ano de 2006 que descobri.

Nesse ano tive aulas com um professor de história que, de algum jeito, mudou minha vida. Aprender sobre Segunda Guerra Mundial, Imperialismo e outros assuntos nunca foi tão interessante, tão intenso. Não pelo assunto em si, mas pela abordagem que o professor conseguia dar em sala de aula. Eu sentia os assuntos, e gostava. Foi dado o gatilho para um amor que se mantém até hoje.

Depois do ensino fundamental, veio o médio e todas suas preocupações. Que curso prestar? Veterinária, medicina, relações internacionais, administração.. milhões de dúvidas normais, e ao final optei por direito. Minha escolha tem uma carga de idealismo muito forte, porque busco através dela me sentir útil a sociedade. Se eu pudesse, como jovem sonhadora, claro que mudaria o mundo. Evitaria sofrimentos, injustiças; poria um fim a pobreza. Mas.. são só sonhos. O mundo sempre foi desigual, e sempre será. Não é pessimismo, é fato. O ser humano é demasiado podre, e só com seu fim teria fim a desgraça do mundo. E será que teria graça?  Mesmo sabendo da realidade, optei por realizar um sonho. Me sentir útil..

Aquele meu professor da oitava série fez parte dessa escolha. Ele não sabe, e talvez nunca venha a saber, o quanto eu passei a admirar seu trabalho e de todos os professores, professores de verdade. Aqueles que tentam, de algum jeito, tornar seus pupilos pessoas melhores, não apenas no aspecto intelectual e conteudista, mas no aspecto humano. E é esse tipo de educação que falta a maioria das pessoas, é algo que se aprende. Como é bonito isso! Uma migalha na imensidão de gente, uma migalha de pouca gente, tenta de alguma forma influenciar positivamente os que estão ao seu redor, ensinando valores. E os professores tem uma grande vantagem, pois a escola é o lugar ideal para esse tipo de ensinamento porque os alunos veem na figura daquele que segura o giz alguém que deve ser ouvido, alguém que tem algo a ensinar.

Podemos aprender valores com quem convivemos através do simples ato de `conviver`, mas muitas vezes essas lições passam despercebidas. Enfim…

Se hoje busco me aperfeiçoar enquanto ser humano, se me preocupo com o outro e com o efeito de minhas ações, devo isso em grande parte aos mestres que fizeram parte da minha trajetória. As ciências humanas, paixão que mantenho, foram um ponto de contato, uma coincidência. Já fui muito ingênua em pensar que elas eram mais `humanas` em relação as demais. Isso não existe. Filosofia e matemática se completam, não se excluem. Uma gera perguntas a outra, e talvez tenhamos nos esquecido disso devido a imensa carga racional que o ensino e a sociedade atual exigem. Por que o céu é azul? Pode até ter uma resposta racional, física, mas sempre surgirá a questão: e por que É assim? , que talvez a filosofia tenha mais sensibilidade em tentar explicar.

Sensibilidade. Gosto. Valores. São alguns exemplos de `coisas` que aprendi com meus mestres. Mestres não no contrato trabalhista, não como profissão registrada; como pessoas. Mestres podem ser amigos, parentes, chefes, professores. Tornam-se mestres sobretudo pela admiração que conseguem criar, esse vínculo de distânciamento que potencializa palavras e ações, tornando-as fortes suficientes para rasgarem nosso interior, redesenhá-lo.

Já estou divagando, mas tudo bem, faz parte… escrevo por necessidade, e necessidades não precisam ter começo, meio e fim..

Em Acrópolis não tem wi-fi

Quando a gente ainda é titico de gente, imagina que quando crescer vai poder trabalhar com o que gosta, e viver feliz pra sempre (exceção para a hora de arrumar o quarto).

Quando a gente cresce, percebe que talvez não seja bom trabalhar só com o que gosta. Por que gostamos justamente por não termos obrigação. E se tiver obrigação, talvez deixaremos de gostar.

Nessa fase docinha da vida, também sonhamos com um futuro brilhante, um sucesso rápido, sem sacrifícios verdadeiros (quando se está cansado, com sono e irritado, é necessário acordar as cinco da manhã, se não…).

Mas quando a gente cresce…

O tempo escorre pelas mãos, sem pedir licença nem perdão. Por que não fiz francês quando tava na sexta série? Agora, nesse dois mil e onze anos pós nascimento de jesus, não tenho tempo nem pra dormir direito! Com direito a acordar na preguiça, tomar um café da manhã e sentir o gosto dos alimentos. Não tenho, quase, direitos! Só obrigações! Ahhhh Jesus!

E é nesse ambiente, nesse cosmos de infância e adolescência que poderiam ter sido mais úteis e não foram, é nesse espírito nojento de obrigações financeiras, trabalhistas, colegiais, nupciais, coleguiais, familiares, alimentares, energéticas!… que nos afogamos em mágoas de descontentamento, desperdiçamos a liberdade e a essência de existir.

Desgosto, desapreço pela vida, comodidade…  Esse ciclo de 11 anos, faculdade, casa própria, casamento, filhos… trabalho? Dá vontade de romper, torcer, cuspir, de deixar de lado, no canto da porta, torcer. Sair por aí, buscando outra realidade, outros meios de vida, pra tentar talvez se convencer de que aquele caminho maldito de falsa fartura de felicidade é o melhor a se seguir.

Não existe mundo perfeito, não existe felicidade inteira por si só… mas preferia não ter acreditado em felizes para sempre quando era criança. Não é que a realidade seja de todo mal, é só que… poderia ser menos cruel.