Tchau 2016, obrigada por tudo! Vem 2017 :D

Não é novidade que sempre tem que ter post de final ou começo de ano. É assim que consigo lembrar um pouco do que eu pensava/sentia e ver o quanto mudei. O que posso dizer de 2016, então?

Para começar, posso dizer que consegui realizar o que eu esperava: consolidar os aprendizados de 2015. Disse mais nãos, encontrei meios de realizar meus sonhos e parei de arrumar desculpas para a minha inércia, adequei e organizei minha rotina na medida do possível para realizar meus projetos e, ufa, graças a deus tive saúde todo o ano e termino esse finalzinho com uma paz de espírito indescritível, como há muito tempo não sentia 😀

Materializando tudo o que descrevi aí em cima:

  • Cantei no porão 3x e gravei dois vídeos cantando
  • Fiz parte do NDIS nos dois semestres, sendo que o trabalho desenvolvido no primeiro semestre resultou numa viagem à Brasília que foi sensacional! Uma experiência indescritível!
  • Dei início a uma alimentação mais saudável, consegui reduzir o percentual de gordura corporal e ganhar mais disposição 😀
  • Dei início à atividade física regular e, Deus do céu, como tem me feito bem! Quero muito mais disso em 2017! Xô preguiça, cansaço e mau-humor!
  • Fiz o curso Happiness da Arte de Viver e o Laboratório da Fundação Estudar, duas experiências que me provocaram boas reflexões sobre o que quero para a minha vida, como encontrar paz de espírito e realizar meus projetos.
  • Terminei um relacionamento de longo tempo que, embora tenha me trazido muitos frutos e momentos bons, já não estava mais me deixando feliz. Agradeço imensamente todo o aprendizado e a parceria desse período, mas agora preciso seguir um novo caminho que me faça mais sentido.
  • Fiz meu tratamento com Roacutan, o que melhorou bastante minha autoestima. Espero que os resultados perdurem no tempo!
  • Terminei a faculdade com a qual sonhei tanto, mas tanto! Dá um gostinho doce na boca sempre que leio textos da época em que cursar direito na USP era apenas um sonho e, hoje, é uma lembrança <3
  • Fiz novas amizades, reatei laços com amizades antigas e preservei outras. Foi um ano ótimo do ponto de vista das amizades 😀
  • Fui em várias festas, saí pra caramba 😀
  • O relacionamento com meus pais está melhor

Basicamente isso.

Viajei menos do que gostaria, mas em contrapartida tive outras realizações. E que venham mais.

Li que 2016 foi um ano de encerramento de ciclos, e que 2017 será um ano de início. E o que esperar desse início?

Bom, quero manter e aperfeiçoar tudo aquilo que conquistei em 2016: a atividade física, a alimentação saudável, o canto, as amizades, o amor próprio sem culpa… Por fim, alguns desejos novos e mais simples são retomar o estudo de idiomas, passar na OAB e guardar dinheiro. Acho que dá, né?

Vamo que vamo 2017 😀

Meu deus

Meu deus, faz um ano desde que descobrimos que meu namorado estava com câncer.
Foram doze sessões de quimioterapia, mais vinte de radioterapia. Foram dias de angústia pela saúde dele, foram dias de culpa minha. Foi um ano novo estranho. Foram tantos sentimentos difíceis. Foi o início da terapia (me rendi, me encontrei). Foi a retomada, aos poucos, da confiança. Graças a deus saúde novamente. E, agora, novas perspectivas e um futuro incerto.

Meu deus, eu vou me formar. Aquela agonia toda registrada aqui passou faz cinco anos. Mas ela ainda está aqui, guardadinha. E está dentro de mim, também. Engraçado que a lembrança dos tempos de cursinho ainda me é muito forte. Foi um dos períodos mais estressantes e angustiantes pelos quais já passei, e de lembrança ficou comigo uma ansiedade contra a qual tenho lutado.

Meu deus, meus pais se divorciaram faz uns anos e todo dia ainda é algo novo. Todo dia é uma reconstrução de relacionamento, é uma tentativa de voltar a me sentir bem com eles e suas respectivas famílias.

Meu deus, todo dia é um dia de saudade das coisas que não vivi – e de algumas que vivi também. É uma tentativa de ser inteira em tudo que faço. De materializar meus sonhos.

Meus deus. Às vezes viver é tão doloroso. Às vezes fico retomando pensamentos de momentos que eu gostaria que tivessem parado no tempo. Fico relembrando cheiros, toques. Por quê?

Meus deus, ainda bem que todo dia é dia de cantar. Só assim eu aguento.

Obsessão e loucura

Como lidar com pensamentos que não saem da cabeça?

Especulações, imaginações, medos, saudades e ao mesmo tempo uma vontade louca de esquecer tudo de uma vez.

Acho que sou muito idiota de ficar indo atrás, instigando minha curiosidade e, por consequência, meu sofrimento. Mas é algo que eu realmente não consigo controlar.

Como lidar, então?

Resumo de 2015, bem-vindo 2016.

Acredito que um dia a mais é, também e sempre, um aprendizado a mais, e que até mesmo dentro da rotina pequenos acontecimentos – detalhes, talvez – podem provocar uma revolução imensa dentro de nós. E o ano passado não fugiu à regra, pois foi de intenso aprendizado.

2015 foi um ano cheio de revoluções internas, marcado por uma rotina agitada e tranquila ao mesmo tempo, mas sempre alegre. Foi, também, marcado por fatos tristes e ruins, os quais ao menos contribuíram como combustível para essas micro revoluções.

2015 foi o ano que jogou na minha cara que devo ser menos permissiva com circunstâncias que não gosto, devo aprender a dizer mais nãos se quiser ter paz, pois caso contrário o acúmulo de angústia e irritação pode me levar para caminhos que não gostaria de trilhar. E, de outro lado, também jogou na minha cara que devo deixar de arrumar desculpas e de colocar meus desejos de lado – é preciso gastar energia para romper com a inércia e fazer o que realmente tenho vontade (como li uma vez por aí, quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa).

2015 também foi o ano que me mostrou o ‘poder da rotina’ (pequenas mudanças de hábito que, pouco a pouco, transformam-nos completamente!) e que consolidou a noção de que cada coisa tem seu tempo certo de ser, ajudando a controlar minha ansiedade.

Por fim, o que esperar de 2016? Consolidar o que aprendi em 2015 (dizer mais nãos; procurar meios de realizar os meus sonhos e parar de arrumar desculpas para minha inércia; adequar e organizar minha rotina para realizar meus projetos) e ter mais paz e saúde. Espero que seja um ano com mais fatos marcantes bons do que ruins. É isso.

‘Amor é para gastar’, por Xico Sá

“Na economia da vida, o maior desperdício é fazer poupança de amor. Prejuízo na certa. Amor é para gastar, mostrar, ostentar. O amor, aliás, é a mais saudável forma de ostentação que existe no mundo.

Vai por mim, amar é luxo só. Triste de quem sente e esconde, de quem sente e fica no joguinho dramático, de quem sente e guarda a sete chaves. Sinto muito.

Amor é da boca para fora. Amor é um escândalo que não se abafa. “Eu te amo” é para ser dito, desbocadamente. Guardar “eu te amo” é prejudicial à saúde.

Na economia amorosa, só existe pagamento à vista, missa de corpo presente. O amor não se parcela, não admite suaves prestações.

Não existe essa de amor só amanhã, como na placa do fiado do boteco. Amor é hoje, aqui, agora… Amor não se sonega, amor é tudo a declarar.”

Perdão existe?

Quem me conhece ou acompanha o blog há algum tempo sabe que nos últimos tempos dois eventos me abalaram muito. O primeiro foi o fim de um namoro de sete anos, o segundo foi o divórcio dos meus pais.

Sem querer entrar na particularidade dos dois casos, o fato é que hoje, mesmo passado relativamente um bom tempo dos dois eventos, ainda não consigo superar com tranquilidade tudo o que aconteceu.

Queria, de verdade, poder não me chatear mais. A vida anda, as coisas mudam, as pessoas mudam, e erram, e muito. Então por que perder tempo com sentimentos ruins, quando se pode guardar e, quem sabe, ainda cultivar só as coisas boas?

Embora tanto meu ex-namorado quanto meu pai tenham feito coisas as quais me magoaram muito, por que perder tempo com isso? Tenho tantas memórias boa, momentos de carinho e diversão. Por que se apegar às coisas ruins, sentir o gosto seco e amarrado da mágoa?

Queria entender como é que faz para perdoar. Faz uns bons anos (sim, anos) que tento praticar o perdão no cotidiano. Acho que já consegui me livrar de uns 70% de mágoas, mas os outros 30% ainda estão lá, me incomodando.

Queria acordar e esquecer todas essas bobagens que fazem a gente perder tempo.

Por que cultivar sentimentos ruins é perder tempo, e vida.

Eu não quero isso pra mim.

Ano novo de novo, ainda bem!

Todo ano existe a mesma promessa de escrever mais.

E há anos deixo de cumprir.

Mas vou continuar prometendo. Vai que um dia dá certo, não é mesmo?

O que falar de 2014 que mal passou, e já considero pacas? Brincadeiras à parte, foi um ano de crescimento indescritível, muito trabalho e cansaço. Foi uma ano que marcou minha transição para a fase adulta.

Infelizmente aquela frase “um dia você vai entender” finalmente fez algum sentido. Sentir exaustão no final do dia, viver o dilema tempo versus dinheiro, mal ter tempo para cuidar de si próprio…

Posso falar uma coisa?

To amando tudo isso.

E que venha muito mais em 2015.

Dessa vez com muito mais postagens e, claro, paz no coração (:

Perdendo tempo

Incrível como de um tempo para cá tenho visto várias pessoas próximas a mim adoecendo, algumas até vindo a falecer.

De algum modo essas notícias tem me mudado, porque tenho percebido o quão precioso é o hoje, o momento no qual vivemos. Passei a me dar conta de quanta coisa deixei de fazer para não desagradar outras pessoas, com medo de sofrer algum tipo de rejeição, e como isso é auto-destrutivo, fazendo-me sentir incompleta.

Não quero essa vida pra mim.

Quero fazer o que me der vontade, bancar as consequências.

Pior coisa é sentir-se incompleto de si mesmo para tentar dar conta de outras coisas que não a própria felicidade.

Será que um dia vai dar certo?

Quando começamos a trabalhar e a conquistar nossa independência financeira, é impossível não deixar de pensar no sonho de ter a casa própria. Um cantinho pra chamar de “meu”, (des)arrumado do meu jeito. Quando pequena, adorava jogar The Sims e montar a casa dos sonhos, visitava sites de decoração imaginando como seria a minha.

Acontece que agora, podendo fazer um planejamento financeiro, juntar uma grana suficiente para comprar uma toca qualquer não é tarefa fácil. Nunca foi, mas com o preço dos imóveis nas alturas, parece impossível. Já me conformei que talvez só consiga morar antes dos 30 ou em regiões centrais desvalorizadas, ou em regiões periféricas. O problema é que ainda assim é muito difícil juntar um bom dinheiro para dar de entrada em um financiamento (e consequentemente diminuir o valor das parcelas) e ainda assim ter algum ‘resto’ para a decoração.

Morar num apartamento no centro de São Paulo não é má ideia, porque além de ser perto do meu trabalho, é uma região cheia de serviços, transporte público, enfim, dá pra se viver sem carro e bem perto de teatros, bares, cinemas. Mas queria mesmo é morar em casa, com churrasqueira ao fundo, janelas bem grandes, um jardim gostoso e espaço para ter cachorros. Será que dá para conciliar isso com as facilidades (e problemas) de morar na região central? Também existe a possibilidade de alugar um imóvel, mas sem a liberdade de poder usar dele como quiser, por exemplo, fazer reformas.

Será que um dia vai dar certo? Por enquanto sigo sonhando e guardando dinheiro.

Enfim, gente grande.

“Felicidade precária, essa sua.
Começa só às seis da sexta, e termina às doze de domingo.
Me diz amigo, adianta viver em vão?
Conformou-se com o não
“Não tenho tempo, não posso, não quero, não gosto”
E esqueceu-se de todo o resto?
Do nascer do sol. Do brilho bonito dos cabelos castanhos à luz do sol. Do pôr do sol.
Do abraço. Do cheiro. Do beijo.
Do toque macio do cobertor no corpo, molinho e quentinho, recém acordado.
Do cheiro do café com leite, pão na chapa bem quentinho.
Esqueceu-se do toque da água fresca no calor intenso do verão?
Esqueceu-se do toque morno, quase abraço, de um bom banho no inverno?
Esqueceu-se das risadas após os filmes da madrugada?
Amigo, você se esqueceu de como éramos até então?
Pois faço questão de recordá-lo, quem era.
Era o abraço. Era a motivação. Era a outra opinião.
Era contestação, era suspiro, era até a vergonha (de vez em quando, sempre boa)
Esqueceu-se de como é andar livre? Andar sem medo, andar de boa.
Andar na Sé.
Esqueceu-se de como é não
 pegar transito e sentir o cheiro das pessoas? Quem sabe fugir do horário de pico com um bom café e conversa fora.
Amigo, eu te envio mensagens pra tentar te ligar.
Amigo, a vida é mais do que o ir e vir.
A vida é todo dia.
Tudo no dia.
Tudo.”

Priscila Esteves

Criei o Warum Nicht em 2009, época na qual deixava a vida de colegial para dar início, em teoria, à vida adulta. Nesse meio tempo, fiquei dois anos no limbo que é o cursinho (não adianta nada ter 18 anos e viver, ainda, vida de 15), até conseguir a tão sonhada faculdade pública. Parece que foi ontem que me lamentava (muitas vezes) nas páginas virtuais desse quase-diário sobre a vida de vestibulanda. Não só sobre o vestibular em si, mas sobre toda a indefinição dessa fase, cheia de cobranças e expectativas.

Superado tudo isso, cá estou eu. Universitária e funci… Oii? ah sim, sim. Funcionária pública, e universitária.

O sonho simples de conseguir passar no vestibular foi procedido pela expectativa do primeiro trabalho. Embora não tivesse sido fruto de muito planejamento ou sonho, o fato é que prestei concurso, passei, e cá estou, TRABALHANDO.

Oito horas, férias de 30 dias depois de um ano trabalhado, metade do décimo terceiro no mês do aniversário e outra metade em dezembro. Parte dos meus vencimentos sofrem desconto na folha de pagamento devido ao imposto de renda (ou, comumente conhecido, o Leão), e outra parte devido à contribuição previdenciária. (Mas que p* é imposto de renda ou contribuição previdenciária?)

Até pouco tempo atrás eu só conhecia tais expressões de ouvido, e é difícil acreditar que a partir de agora serão parte da minha realidade. Mas não só ganhei novas palavras para o cotidiano, como também novas preocupações. O que vai ser do meu futuro? Sigo área pública ou área privada? Quais são os melhores locais para se trabalhar? Como conciliar rotina de estudos com trabalho? Como encontrar tempo para pesquisar ou escrever artigos? Como conciliar o tempo entre a faculdade e o trabalho? COMO VIVER SÓ COM 30 DIAS DE FÉRIAS?? (Essa é uma das questões mais duras!)

É curioso como a vida adulta chega implacável, ainda que de mansinho. E há como fugir? Sem trabalho, não tem dinheiro. Sem dinheiro, não tem viagens, festas ou consumo. E se não tiver dinheiro para poder fazer o que eu quero, ou comprar o que quero, do que adianta estar desempregado? Mas, ainda que empregado, do que adianta receber um bom salário sem ter tempo de usufruí-lo com prazer? E, no limite das indagações, do que adianta ter pequenos prazeres financiados pela labuta, se a própria ocupa mais da metade do meu dia e não me traz prazer algum? (Se bem que não posso reclamar de prazer porque, entre meus amigos, sou uma das únicas pessoas que se sentem úteis e gostam do que fazem. Sou privilegiada (: ) 

Mais curioso ainda é ver que esses assuntos, digamos, profissionais, agora preenchem quase todo o tempo das conversas de bar com meus amigos. Amigos que cresci junto. Amigos que eram tão adolescentes quanto eu há cinco anos atrás.  (P* QUE P* JÁ FAZ CINCO ANOS QUE DEIXEI A ESCOLA!, respira!) Amigos, que como eu, agora se preocupam com ter dinheiro suficiente para bancar um aluguel perto do local de trabalho – porque comprar uma casa ou apartamento ainda é sonho inversamente proporcional à quantia paga pela nossa força de trabalho – e, quem sabe, com alguma sorte, encontrar alguém legal (e limpinho) para dividir as dívidas.

Sempre achei que crescer fosse doer, mas até que eu gosto dessa dorzinha. Dá medo, mas também tem um quê de prazer, prazer em saber que o futuro quem faz sou eu. Prazer em me sentir exausta às sextas-feiras, mas ter meu próprio dinheiro para bancar minhas saídas. Prazer em poder planejar viagens, conhecer o mundo, sem depender do trabalho tão suado de quem me apoiou a vida inteira. Prazer em poder planejar, quem sabe, futuramente, ter a própria casa. Prazer em saber que um dia poderei ajudar meus pais, que tanto me ajudaram a chegar onde cheguei.

Sem pedir licença, gente grande agora somos todos nós.